Comunicado

Devido a problemas recentes no layout, o blog está passando por uma reformulação. Desde já agradeço a compreensão de todos e adianto que apesar dos problemas as postagens continuarão normalmente. Em breve mais novidades.

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"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se tem na memória"

Luis Fernando Veríssimo

25/05/2012

Sangue, suor e lágrimas... e lágrimas

A noite de ontem foi emblemática. Sobre a mesma ótica de observação, o futebol nos apresentou dois finais absolutamente distintos. A glória e o fracasso de dois times que perseguem obsessivamente um objetivo inédito em sua história.


O futebol possui particularidades absolutamente contraditórias. Analisando friamente as partidas - deixando de lado seu real valor - nove em cada dez analistas/torcedores/comentaristas diriam que foram partidas pobres e limitadas técnicamente - o que de fato é verdade -, mas uma vez que prestamos atenção no contexto, sangue, suor e lágrimas passam a caracterizar outra face do bom futebol, substituindo fatores como qualidade técnica e jogadas plásticas.

Classificação com a essência de "sofredor" que só o corintiano conhece. Eliminação com requintes de crueldade para time conhecido como "guerreiro", que se acostumou a travar e vencer batalhas que parecem perdidas aos olhos da maioria.

O Corinthians entrou em campo para enfrentar mais do que 11 jogadores que defendiam outra camisa, entrou para enfrentar traumas, fantasmas, medos e a própria ansiedade em busca de uma obsessão, e viu um jogador que é popularmente conhecido pelo diminutivo de seu nome, se agigantar aos 42 minutos do segundo tempo, decretando a classificação em uma noite épica para os mais de 35 mil loucos que lotaram o Pacaembu.
 
Paulinho, heroi da classificação corintiana, comemora o gol com a torcida
Horas antes o futebol havia nos mostrado um outro final para o roteiro sangue/suor/lágrimas. No Engenhão, as lágrimas que foram precedidas de sangue e suor eram carregadas de um sentimento bem diferente das que se viram no Pacaembu: Tristeza e resignação pela certeza de que os guerreiros foram uma vez mais ao limite de suas possibilidades, porém, dessa vez o limite não foi suficiente para atingir o objetivo.

Os mesmos ingredientes. O mesmo fator decisivo: Um gol nos últimos minutos de jogo. Dois finais distintos. Algo que só o futebol é capaz de proporcionar.


17/05/2012

Cota para a seleção brasileira

Ramires e Arouca estão fora da seleção brasileira. Incoerência anunciada aqui mesmo, dias antes da convocação por aquele que vos escreve(Aos que duvidarem basta clicar aqui).

As justificativas são tão esdrúxulas quanto a convocação. No caso de Ramires, Mano alegou que o ex-cruzeirense deixou de ser volante no Chelsea de Di Matteo. Fato. Virou um meia esquerda, quase um ponta, que volta para compor o meio campo, não lateral como afirmou o treinador da seleção brasileira. E ainda que fosse, até na lateral esquerda Ramires tem espaço na seleção. Desafio alguém a me apontar dois meias esquerda e dois laterais que deixam Ramires sem condições sequer de brigar por posição no selecionado nacional.

Para Arouca a desculpa foi mais estapafúrdia. “Chegou um momento em que estávamos levando muitos jogadores do Santos. Você tem algumas limitações para isso. Não pode levar muitos jogadores do mesmo lugar."

É melhor alguém avisar Vicente Del Bosque que ele está convocando muitos atletas do Barcelona, onde já se viu, eles são os melhores mas jogam juntos, não podem ser chamados não, que absurdo ora essa.

Alguns dirão: "Mas lá os campeonatos param, o clubes não são prejudicados em ceder jogadores às seleções, como os clubes brasileiros que são obrigados a continuar as disputas desfalcados". É o preço que se paga pela incompetência e desorganização de um calendário defasado.

Seleção não é mais sinônimo de reunir os melhores. Chegamos ao cúmulo da insensatez. Agora cada clube tem uma cota para preencher a seleção nacional, os jogadores que briguem entre eles para preencher as vagas.

12/05/2012

O Sentimento não pode parar

Noites como a de ontem refrescam a minha memória, reacendem e reafirmam meu sentimento por esse esporte.

Consegui uma façanha ontem que não era capaz desde os tempos de Japão - um ano atrás - acompanhar três partidas no mesmo dia - duas delas de maneira simultânea(São Paulo x Ponte Preta e Fluminense x Internacional). E para a minha alegria, o futebol foi generoso com seus fãs na noite desta quinta-feira.

Muito prazer "gênio da bola"
A noite começou com um show - ode ao futebol arte de jovens que nasceram para estar dentro das quatro linhas - um massacre para a história. Gol de tudo que é jeito, para todos os gostos. Um cartão de visitas ao único ser humano no planeta terra que vive do futebol e não conhecia Neymar - assim afirmava o fanfarrão técnico do Bolívar Ángel Guillermo Hoyos - Bom, agora conhece, e com certeza, não esquecerá tão cedo. [Não perca a conta]


Resultado histórico no aspecto estatístico: sexta maior goleada da história da Libertadores da América; no aspecto institucional: o Santos de Neymar igualou o Santos de Pelé na deferença de gols em uma vitória; no aspecto emocional: quem lá estava, não esquecerá.

Luis Fabiano comemora o gol trezentos de sua carreira que classificou o São Paulo para as quartas-de-final da Copa do Brasil
Depois de nos apresentar o talento, o futebol usou seus artistas da bola para nos apresentar sua outra face: a emoção. No Morumbi o São Paulo resolveu colocar um pitada de drama e saiu atrás no placar diante da Ponte Preta, que abriu o marcador graças a uma pintura de gol do atacante Somália. Naquele momento o Tricolor precisava de três gols para evitar a eliminação precoce na Copa do Brasil, e a noite que caminhava para um vexame, se tornou histórica quando ao 22 minutos do segundo tempo, Luis Fabiano marcou o terceiro gol sãopaulino - número 300 de sua carreira - e classificou o time para as quartas-de-final da competição.


Enquanto isso no Engenhão, Fluminense e Internacional decidiam quem seguiria na competição de clubes mais importante das Américas, e como é característico em partidas com duas forças tão equilibradas, o futebol usou de suas minúcias para dar números finais ao jogo. Na venenosa bola parada de Thiago Neves, o time carioca eliminou o bi-campeão continental de virada.

Engana-se quem pensa que somos privilegiados. O futebol é um ser de várias faces e onipresente. Enquanto nos brindava com emoção e espetáculo, sua faca imponderável era vista em terras chilenas, e a classificação que parecia impossível para a Universidad de Chile, chegou com sobras: 6x0 sobre o Deportivo Quito, depois de perder a primeira partida por 4x1.


Noites como essas me fazem imaginar o futebol como um ser mitológico, manipulador, que move as peças no tabuleiro como deseja e faz o que bem entende com os sentimentos que o cercam. Encerra eras, resgata glórias, move o acontecer do fatos de maneira hipnótica, para que ninguém se desvencilhe de suas garras. Definitivamente, noites como essas nos impedem de abandonar o sentimento, mesmo que em certas ocasiões, razões não faltem para isso.

09/05/2012

Palavras ao vento

Confesso que há pouco mais de um ano atrás, quando Mano Menezes assumiu o cargo que ocupa hoje, fui um dos que se encheram de esperança com a volta dos tempos áureos do futebol brasileiro. O discurso era perfeito - o tal do protagonismo. O resgate da essência do nosso futebol. O que todos desejavam ardentemente depois de quatro anos de absoluto pragmatismo.

Porém - para a nossa tristeza - a ideologia ficou no discurso. O futebol não apareceu, e ao invés do resgate da essência e do protagonismo brasileiro dentro de campo, o trabalho ficou marcado pela absoluta falta de critério - exatamente o ponto em questão nesse post.


O homem que parecia saber exatamente como conduzir o trabalho se perdeu ao assumir um cargo que em nosso país chega a ser mais importante, e a sofrer tanta pressão quanto o presidente da república. Passou a convocar e a desconvocar jogadores de forma aleatória e sem sentido, levando em consideração mais o extra-campo - não que não seja importante, mas não pode ser o aspecto prioritário - do que o desempenho dentro das quatro linhas.

Ramires - que era o homem de confiança de Mano - é a vítima mais recente da alienação do treinador da seleção. Enquanto o ex-cruzeirense joga o fino da bola - e não digo isso apenas pelas partidas recentes, Ramires vem sendo fundamental no Chelsea há algum tempo, deixando jogadores como Essien, Malouda e eventualmente até mesmo um dos símbolos do time, Frank Lampard, no banco de reservas - faz história nas maiores competições europeias, o treinador da seleção brasileira convoca Elias ex-Corinthians e reserva do Sporting(POR) e Fernandinho que joga a "poderosa" liga ucraniana.

Ramires comemorando gol na final da Copa da Inglaterra contra o Liverpool
Sexta-feira tem convocação, a desculpa do treinador seria o fato de Ramires ter sido avançado da posição de volante para a meia esquerda - algo que frequentemente acontece com o volantes brasileiros com boa saída de jogo que vão para o futebol do velho continente - o que o obrigaria a disputar lugar com outros jogadores na seleção. Mas Mano será salvo pelas Olimpíadas e pela desculpa de que tem que aproveitar para treinar o time olímpico nos próximos amistosos.

O fato é que o trabalho de Mano Menezes na seleção prima pela mesma característica que marcou seu antecessor: Incoerência. As escolhas e atitudes do técnico não fazem sentido, de diferente mesmo, apenas a postura, a refinada educação e o discurso, que até agora foram só palavras jogadas ao vento.

26/04/2012

Prazo de validade

A partida foi espetacular - com requintes de crueldade para torcedores cardíacos. Não vou entrar nos méritos e deméritos das equipes pelo simples motivo de que o resultado esteve em aberto o tempo todo, não há disparidade entre as equipes como havia no outro confronto. Bayern de Munique e Real Madrid são fantásticos ofensivamente e deixam a desejar no setor defensivo. Qualquer um que passasse seria merecido.


O assunto do post é outro, o comentário que mais ouvi no dia de hoje, no espaço de tempo pós eliminação do Barcelona e pré eliminação do Real Madrid, sobre Lionel Messi: "Perdeu um pênalti e seu time acabou eliminado. Não pode ser considerado o melhor do mundo novamente. Agora é Cristiano Ronaldo"

Eis que por um capricho que só o futebol é capaz de promover, o craque português cometeu um erro determinante para a eliminação do Real Madrid diante do Bayern de Munique, curiosamente, o mesmo erro do argentino diante do Chelsea: desperdiçou uma penalidade.


Agora a pergunta que fica é: Quem deve ser o melhor do mundo?

A memória curta e a impulsividade de momento do povo na hora de julgar e analisar futebol chega a ser patética. Um jogo, um resultado e o status de melhor do mundo é transferido. Então, sigamos essa linha de raciocínio e entreguemos a bola de ouro desse ano para Neymar, o próximo da lista. Ah sim, claro, a menos que o Santos seja eliminado da Libertadores com uma falha do camisa 11. 

Messi continua o melhor do mundo. Barcelona continua um time fantástico. Cristiano Ronaldo continua craque. Real Madrid continua sendo Real Madrid. E o resto é só um monte de asneira de pseudo-especialistas de futebol.

Em time que está ganhando...

Messi e Pep lamentam a derrota que pode decretar o fim da era Guardiola no comando do time catalão

Pep Guardiola é o melhor treinador do mundo, treina o melhor time da atualidade e um dos maiores da história, mas errou, e sua falha foi determinante para o resultado da partida.

"Em time que está ganhando não se mexe" certo? O erro de Pep foi esquecer que o seu time, mesmo quando perde, "ganha", e que dois resultados negativos não eram motivo - de forma nenhuma - para mudar o esquema tático de seu time para a partida mais importante da temporada.

O Barcelona entrou em campo em um 3-4-3  - absolutamente sem sentido - com os homens de meio campo em losango, e curiosamente perdeu o controle exatamente desse setor, onde seu futebol faz toda a diferença.

Como se não bastasse a mudança, Guardiola ainda distribuiu seus jogadores de maneira errada em campo, deixando Messi na ponta de cima do losango, a frente dos volantes e infiltrado no sistema defensivo adversário, facilitando a marcação e a diminuição dos espaços por parte dos marcadores, e não atrás como o prefere o craque, jogando com mais liberdade. Resultado: Messi não jogou e o Barcelona parou.

Messi posicionado a frente dos volantes do Barcelona e muito próximo da marcação adversária.
Mas a qualidade do time catalão é tão fantástica que ainda assim o placar necessário foi construido. 2x0 e a vaga na final estava garantida, não fosse a soberba catalã em avançar de maneira desnecessária um time que vencia por 2x0, em casa, com um jogador a mais.

E antes que me cornetem dizendo que estou tirando os méritos do Chelsea, faço questão de destacar todas as qualidades do time inglês.


O comentário que mais me chamou a atenção nesse dia pós partida foi: "Derrota do futebol". Uma besteira sem tamanho. Futebol é muito mais do que "jogo bonito". Futebol não é monotemático, tem muitas faces. Futebol é garra, é entrega, é determinação, é comprometimento. Em muitos momentos esses aspectos superam qualquer qualidade técnica, e nesses quesitos, os jogadores do Chelsea se agigantaram em campo. Drogba e Lampard, símbolos desse time se entregaram de maneira admirável. O Chelsea "suou sangue" e conseguiu uma classificação histórica.

Sem mencionar que: se isso aqui não é futebol...


...alguém por favor me explique do que se trata.

O Chelsea tem problemas para a disputa da final, meio time que eliminou o Barcelona está suspenso. Ramires, Ivanovic, Raul Meireles e Terry estão fora do jogo decisivo. Mas depois de eliminar o Barcelona com a autoridade de quem impôs sua proposta de jogo, você duvida que a taça do campeonato de clubes mais importante do mundo possa parar em Stamford Bridge esse ano?

24/04/2012

Não faz sentido, faz?

A linha que divide a glória do fracasso no futebol é tênue, e muito inconstante. Um lance, uma bola, um sopro no apito e a história que caminhava para um rumo certo e definido mostra um final alternativo que invariavelmente trará lamentos e vibrações contrárias.

Tão tênue quanto essa linha, é a establidade de um clube de futebol. A paz construída em meses demorona em noventa minutos - essa por sinal é a utilidade básica do campeonato estadual no futebol atual.

O mesmo Corinthians e Ponte Preta de ontem, em um estadual muito diferente do de hoje.

Não vou entrar nos méritos dos estaduais pela enésima vez - quem acompanha o blog há mais tempo conhece a opinião de quem aqui escreve, ao demais, é suficiente saber que: a disputa estadual é tão retrógrada quanto a tabela do futebol brasileiro, queremos a evolução do futebol no país, do gerenciamento do esporte, mas nos recusamos a abandonar tradições que outrora deram certo, mas que já não mais funcionam.

Fato é que: aos clube grandes vencê-los não é mais que obrigação - ninguém valoriza o campeão estadual - perdê-los é sinônimo de crise - por que, se não tem valor?

Nesse momento temos milhões de brasileiros frustrados porque seus respectivos times perderam algo que segundo eles mesmos não tem valor, tendo como único consolo a desgraça alheia de seus rivais, que também viram suas possibilidades de vencer algo sem valor acabarem.[complicado?] Em suma o sentimento é o seguinte: não vale nada, mas se não é meu, não pode ser do meu adversário. 

Mas as "curiosidades" não param por aí: além do fato de você entrar em crise por algo que não vale nada, o fracasso na tentativa de conquista desse nada, aumenta a responsabilidade de conquistar o que realmente vale "tudo" - leia-se Libertadores para uns, Copa do Brasil para outros.

Podemos dizer então que a situação de Corinthians e Palmeiras é a seguinte: eles não perderam nada, e justamente por isso estão intimados a ganhar o "tudo".

Pensando bem, essa confusão "sentimental" que envolve o futebol faz todo o sentido, afinal, um esporte que está longe de ser uma ciência exata, não poderia ser composto por lógica e racionalidade.