Comunicado

Devido a problemas recentes no layout, o blog está passando por uma reformulação. Desde já agradeço a compreensão de todos e adianto que apesar dos problemas as postagens continuarão normalmente. Em breve mais novidades.

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"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se tem na memória"

Luis Fernando Veríssimo

08/05/2013

Crônica do pensamento alheio

O som ao redor era um misto de excitação e apreensão. Quantos passos seriam necessários para percorrer aqueles 60 metros? Aquela altura, o esforço da caminhada era descomunal. As pernas carregavam o cansaço físico e o peso da responsabilidade. A esperança de milhões no sucesso da curta empreitada; e de outros tantos milhões no fracasso.

Resume-se em um curto espaço de tempo onde o simples se complica e o óbvio se cerca de dúvidas. Em que todos os caminhos levam ao mesmo destino. Glória e fracasso separados por um linha tênue, feita de alguns centímetros de cal.

Um turbilhão de pensamentos o acompanha enquanto ele parece caminhar como um réu condenado prestes a iniciar sua pena. Desejara, como tantos outros, aquela glória sem correr o risco do fracasso iminente.

De repente se deu conta de que era justamente a forma como lidava com o fracasso que o rondava que lhe colocaria no hall daqueles que encontraram a glória no fim da caminhada. Descobriu que a derrota começa quando o medo de encontrá-la supera o desejo da conquista.


25/04/2013

1/1/1

Hoje é o primeiro dia de um novo mandato no futebol mundial. A referência mudou de endereço. Trocou, sem cerimônia, a paella pelo chucrute.

As vezes imagino o futebol como uma madame nascida em berço de ouro; alguém genioso, impositor de suas vontades, irônico e que não aceita desaforo. Promove situações e encontros de invejar qualquer script hollywoodiano.

Pep Guardiola, o mentor da maior revolução futebolística do século, responsável por colocar fim a própria criação - não se iluda, Jupp Heynckes não é o responsável pelo futebol apresentado pelo Bayern de Munique.

E essa madame é mesmo ingrata. Mal se lembrou das vezes que o clube catalão nos brindou com sua arte nos últimos anos. 4x0. Incontestável e sem piedade. Com requintes de crueldade ao melhor jogador do mundo.

Madame sarcástica, que no dia seguinte aprontou de novo, e calou aqueles que um dia antes se deliciavam com a desgraça alheia.

Não tem mesmo coração essa madame metida a besta. Substitui uma geração inteira por outra em 180 minutos.

Era uma vez espanhois, argentinos e portugueses que dominavam o mundo. Um certo dia, eles trombaram com alemães, holandeses, franceses, a até poloneses, e... Bom, o mundo mudou de pés.

08/04/2013

"Um por todos, e todos por um"

A filosofia de Athos, Porthos e Aramis, mais conhecidos como "Os Três Mosqueteiros", parece, a cada dia que passa, ser a receita mais óbvia para o sucesso de um time de futebol.

Um time sobrevive de seus talentos individuais, mas vive primordialmente de seu coletivo, ou melhor, da união de seu coletivo.

Aquele que é tido por muitos - inclusive por quem vos escreve - como um dos maiores times da história do futebol é exemplo claro disso. Encantou o mundo com um futebol absolutamente coletivo e generoso, e nas vezes que isso não foi suficiente, viu o talento de um gênio, um tal de Messi, resolver a questão.

Mas a questão é entender que "jogo coletivo" é mais do que entrosamento dentro de campo. Jogo coletivo começa no banco de reservas, na figura individual do treinador. Nasce na filosofia do líder e vive da credibilidade que essa filosofia é capaz de conquistar entre os comandados. Em suma, a diferença do coletivo que vence para o que perde, está na crença dos jogadores naquilo que estão fazendo. Se todos acreditam no que seu treinador diz, a união faz a força, caso contrário, não há força de elenco que sobreviva a desunião causada pela descrença. Cenário fácil de notar nos vizinhos São Paulo e Palmeiras.

Líder do Campeonato Paulista com um jogo a menos, mesmo jogando a maioria das partidas com o time considerado reserva. Em crise, porque o principal objetivo da temporada virou "missão impossível". Esse é o São Paulo, um dos melhores elencos do país, que não funciona por não acreditar em seu comando.

Um time limitado, instável, que sofre com resultados negativos, expressivos, constantemente, e principalmente com a má administração fora de campo. Só que não. Depois de mais um capítulo trágico, a tal má administração deu o primeiro sinal de amadurecimento: consciência de que o trabalho que vem sendo feito, visa um objetivo a longo prazo. Deu continuidade ao trabalho de um líder que provou ter a fé de seus comandados. Aula de futebol coletivo, união. Recompensa inevitável. Esse é o Palmeiras.

Futebol não é uma ciência exata. Impossível de prever. Na semana que vem o post pode ser sobre a heróica classificação são paulina e a previsível eliminação palmeirense - leia-se Libertadores da América. O fato é que o futebol tem seu aspecto religioso, é preciso acreditar no que é pregado para que os resultados que se esperam aconteçam.

18/02/2013

Lógica; Futebol; Inovação; Corinthians; Palmeiras...

Lógica e futebol não têm lá um relacionamento muito afetuoso. Uma tenta se impor, o outro insiste em contrariar, e ambos têm suas vantagens e desvatangens.

Se você tem o melhor time, a lógica te diz, por motivos óbvios, que você tem mais chances de ganhar. O futebol te diz que se você quiser ganhar, terá que fazer por merecer. Nome não ganha jogo. Se você tem um padrão de jogo definido e jogadores que se conhecem, a lógica diz que você tem mais chances de ganhar. O futebol te obriga a colocar a teoria em prática a cada novo jogo. Papel, campo... Se seu time conquistou tudo que era possível, a lógica te diz que ele é o melhor, o "time a ser batido". O futebol insiste em tratá-lo apenas como "mais um", que será abatido ao menor descuido.

As principais vantagens de ser o número 1 são sem dúvida as conquistas. Status. Reconhecimento. Soberania diante dos adversários. Respeito. Temor. Vantagens que são imediatamente combatidas pela principal desvantagem: estar em evidência - prego que se destaca é martelado.

O número 1 tem sempre a obrigação de se reinventar. Inovar. A velha história: a parte mais difícil não é chegar ao topo, mas se manter. Teoria conhecida por todos. Experiência vivida apenas por aqueles que conquistam algo.

O Corinthians chegou, está lá. Sabe bem o caminho que trilhou e o que fez para alcançar o tão sonhado topo. O problema é que todos aqueles que almejam seu lugar também sabem e começam a criar antídotos para combatê-lo. Em um mundo competitivo como o do futebol, reinventar-se é imperativo, para aqueles que desejam voltar, e para aqueles que não desejam sair de onde estão.

13/02/2013

ATENÇÃO!

Analisar o trabalho de um treinador depois de uma partida não faz o menor sentido. Não faria, se o treinador em questão não fosse Luiz Felipe Scolari.

Fazem dez anos, o futebol mudou. A realidade é outra. É um novo trabalho. Remeter ao passado de fato soa um tanto incoerente, ou soaria, se esse passado não fosse exatamente o motivo da existência do trabalho atual.

Felipão voltou ao comando da seleção por tudo que representa, não por seus trabalhos recentes. Voltou para resgatar uma identidade que havia se perdido e acima de tudo o respeito alheio pela camisa cinco vezes campeã mundial que se perdeu na mão de um "desconhecido".

Fazem dez anos, o futebol mudou. A realidade é outra. Adaptar-se é imperativo. A lista de convocados anunciava que a adaptação aconteceria. Dante e Miranda são a prova de que Felipão está atento a tudo que acontece no futebol. Dante é o melhor zagueiro da Bundesliga ao lado de Mark Hummels do Borussia Dortmund e Miranda vive a melhor fase da carreira no vice-líder da liga das estrelas, Atlético de Madrid. Ramires, Paulinho, Arouca e Hernânes, quatro volantes que saem para o jogo com uma qualidade acima da média, a prova de que Felipão não pretendia armar um ferrolho para golear por 1x0. Uma lista que prima pela qualidade técnica, dos atacantes aos defensores, a prova de que Felipão estava em 2013, e não em 2002.

Mas assim como seu antecessor, Mano Menezes, Felipão não conseguiu praticar a teoria. O papel não entrou em campo. Culpa do treinador, até a página três, claro. Teoria repetida. Problemas repetidos. E Felipão já acena repetir os mesmos erros da antiga administração: mudar a teoria na primeira tentativa fracassada.

O treinador prometeu rever a situação de Ramires e Paulinho, porque ambos os volantes saem para o jogo e se apresentam ao ataque. A ideia é sacar um dos dois, avançar o zagueiro David Luis para jogar de cabeça de área a frente da zaga que seria formada por Thiago Silva e Dante - como Edmílson na seleção de 2002 - Em poucas palavras: um cão de guarda no meio campo para dar liberdade ao outro volante para ir a frente. Porque aparentemente não é possível jogar com dois volantes que não estão em campo apenas para destruir as jogadas, mas que constroem situações de ataque e têm muita qualidade no passe.

Essa é a posição do atual treinador da seleção brasileira, e talvez seja a contra prova de que ele não está tão atento assim ao que ocorre no mundo do futebol, afinal, um certo time azul grená provou recentemente que o futebol é feito com construtores, da defesa ao ataque.

07/01/2013

A escolha do melhor do mundo

Amanhã teremos a escolha do melhor jogador do mundo. Andrés Iniesta, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são os indicados. Meu voto é do argentino. Embora seja um admirador do futebol dos outros dois, especialmente de Iniesta, eles tiveram o maldito azar, ou abençoada sorte, de nascerem na mesma época Messi.

Mas o assunto me levou a outra reflexão: Copa do Mundo de 2014. Explico. É impossível afirmar que Messi levará o prêmio amanhã, tampouco que chegará a Copa como melhor jogador do mundo, ao menos oficialmente, entretanto é certo e seguro que estará por aqui para a disputa do mundial, e começar a se preocupar com ele é, além de altamente recomendável, essencial, se quisermos evitar que ele levante a taça  por aqui.

Messi foi o protagonista, dentro de campo, de um time que revolucionou o futebol de uma forma que não era vista desde a Laranja Mecânica de Johan Cruyff, em 1974. Inovou de uma maneira tão humilhante que os adversários não são sequer capazes de imitá-lo. O mentor da maior revolução futebolística do século? Pep Guardiola.

Extraoficialmente, Pep Guardiola já tinha aceitado dirigir a seleção. Em 4 anos a frente do Barcelona, conquistou 3 campeonatos espanhois, 2 Copas da Espanha, 3 Supercopas, 2 Ligas dos Campeões e 2 Mundiais de Clubes
A frente de um time de outro mundo, com um camisa 10 de outra galáxia, Pep venceu mais de 70% de seus jogos. Frequentemente com mais de 70% de posse de bola. Frente a times razoáveis como Chelsea, Milan, Real Madrid, Manchester United.

Nada contra Felipão, mas perdemos nossa melhor chance de vacina "anti-Messi" ao ignorarmos o nome de Pep Guardiola para o comando da seleção brasileira. E corremos o risco de ter perdido o bonde da história.
José Maria Marin - Presidente da Confederação Brasileira de Futebol
Contra os argumentos usados por José Maria Marin para justificar, apenas uma palavra: Coerência - ou falta dela. Segundo o "entendedor" de futebol que comanda a CBF, Pep não conhece os jogadores brasileiros. Como não se boa parte da seleção joga na Europa? E ainda que tenhamos atualmente uma seleção bem "brasileira", de quanto tempo o treinador precisaria para conhecê-los? Pep nunca dirigiu uma seleção. O mesmo Felipão escolhido para voltar ao comando da seleção, jamais esteve a frente de um selecionado nacional antes da Copa de 2002.

No último jogo da seleção brasileira em 2012, contra a Colômbia, 7 dos 14 jogadores que atuaram já jogaram ou enfrentaram Pep Guardiola por seus clubes
O terceiro argumento é tão hipócrita que sequer merece contestação. Pep é estrangeiro. Já dizia o célebre Samuel Johnson: "O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas". Quantas partidas o seleção faz por ano dentro e fora do país? Das empresas que controlam e financiam a seleção brasileira, quantas são nacionais? Fornecemos o que temos de melhor dentro dos campos para os clubes europeus. Nossos craques desfilam sua habilidade para gringo ver, e pagar. Controladores estrangeiros. Mas o treinador precisa ser brasileiro. Isso me soa a tão tradicional arrogância brasileira. Nos recusamos a aprender o que achamos que ninguém faz melhor do que nós.

Cria-se uma cortina de fumaça. Muda-se alguma coisa para que tudo continue igual e seja aceito pela maioria alienada. Escolhemos um passado, que teve seus méritos, mas que passou, em detrimento de um futuro inovador. Um futuro que curiosamente nos levaria de volta ao passado, quando o futebol da seleção brasileira era a referência e a inspiração que todos os outros tentavam imitar.

Não temos o melhor do mundo dentro dos campos. Perdemos a chance de ter o melhor do mundo fora deles.

16/12/2012

Protagonismo inédito

Desde que o Mundial de Clubes passou a ser disputado no formato atual, presença brasileira na decisão não é novidade, a novidade foi a presença brasileira em campo.

Em 2005 o São Paulo chegou a final como azarão diante de um Liverpool que não tomava um gol sequer há mais de dez jogos. Sagrou-se tri-campeão. Em 2006, o Internacional de Porto Alegre chegou ao Japão com a missão de vencer um Barcelona que contava com uma constelação e um astro endiabrado, Ronaldinho Gaúcho. Título colorado. Em 2011 o maior astro do futebol brasileiro embarcou para o outro lado do mundo para enfrentar um time de outro mundo. O Santos de Neymar não conseguiu parar o imparável Barcelona de Messi e cia, mas naquele momento, time nenhuma da história conseguiria.

Eis a diferença das demais finais para a de hoje: os demais entraram em campo como azarão, e surpreenderam o mundo, o Corinthians entrou em campo para jogar de igual para igual contra o campeão europeu, e é bom que se diga, o time brasileiro, tirando a folha salarial, não deve em nada ao time inglês.

O jogo teve vários momentos, como é natural em uma partida de futebol, e na soma deles, o Corinthians venceu porque foi melhor, e não porque uma bola esporádica entrou no gol adversário. Eis a diferença. Portanto, dessa vez não há surpresa no fato de o campeão mundial de clubes ser sul-americano, venceu no Japão, o melhor time que desembarcou por lá. A surpresa esse ano, ficou por conta das arquibancadas. 

E o futebol não se cansa de ser irônico, o time que antes era contestado por ser campeão mundial sem atravessar o mundo, agora é o único que conquistou o planeta dos dois lados do Atlântico.