"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

13 de jul de 2010

Única

Chegou ao fim a primeira Copa no continente africano.


Certamente quem acompanhou a Copa terá muitas histórias para contar. Histórias de alegrias, de decepção, de emoção, de jogos e lances inesquecíveis, de um verdadeiro show de imagens e acima de tudo da alegria do povo africano.
Alegria vivida intensamente por todos que tiveram o privilégio de acompanhar tudo de perto e que é uma lição de vida para muitos que reclamam por pouco, como este que aqui escreve.


Foram dias em que o mundo todo parou e voltou seus olhos não só para a África do Sul mas para todo continente africano e muitos, como eu, descobriram como eram ignorantes em relação ao continente que é o berço da civilização.
África era sinônimo de fome e miséria na cabeça desse blogueiro.
Alegria, festa, curiosidade pela cultura, culinária, músicas, idiomas, lugares, animais, são os sentimentos de agora. Por diversas vezes enquanto assistia os jogos tive muita vontade de estar lá.


Essa é a importância de um evento como esse, muito mais do que 32 equipes de futebol lutando por um título, mudar a forma do mundo de ver as coisas e nos fazer perceber o quão equivocado podemos estar em relação a determinados assuntos.
Daqui para frente e África terá uma vida diferente, um tempo de prosperidade para um povo que merece e que mostrou nessa Copa que tem muito potencial.


Fizeram uma Copa maravilhosa, estádios belíssimos, organização e um show de imagens.
Transmissões com sinal digital proporcionaram um verdadeiro espetáculo. O mesmo lance de muitos ângulos, tomadas aéreas e a super câmera lenta que nos revela cada mínimo detalhe, foi sem dúvida a melhor transmissão de uma Copa do Mundo. Claro que as coisas evoluem em quatro anos e a próxima sempre tende a ser melhor, mas é necessário ser competente para fazer bem feito.

E o que dizer da torcida ?


Estádios lotados de pessoas de todas as raças, culturas e CORES falando os mais variados idiomas. Torcendo, vibrando, comemorando, chorando e consolando umas às outras. Todas JUNTAS.
Muitas vezes a televisão flagrava a torcida dos times que perdiam naquele momento pulando, cantando e fazendo festa junto com a torcida adversária porque aquilo significa muito mais do que um jogo de futebol.
Pessoas de todas as idades, crianças, jovens, mulheres, famílias inteiras curtindo o esporte mais popular do mundo no seu momento mais sublime.


Jabulani, o nome mais comentado e falado dos últimos trinta dias.
E que poder tem essa pequenina de 440 gramas. Poder de fazer rir ou de chorar, poder de em poucos segundos realizar ou destruir os sonhos de uma nação inteira, poder de coroar ou frustrar um trabalho que demora anos para ser realizado.

Muitos contarão tudo sobre esses trinta dias para seus filhos e netos, outros vão preferir esquecer, como não poderia deixar de ser, mais uma Copa que criou heróis e vilões pelo mundo.

Jogadores que por um pequeno erro no momento decisivo...


...uma atitude impensada em um momento mais tenso...


...uma ação de puro instinto, heróica para uns e errada para outros...


...ou por poucos segundos de determinação em um simples chute...


foram os escolhidos para pagarem a conta do fracasso ou escreverem seus nomes na história.

Quem escrever os livros de história terá a grande responsabilidade de registrar e contar para as próximas gerações que a Copa da África do Sul de 2010, a primeira em solo africano, foi única, especial de uma forma que nenhuma outra será e certamente marcará o início de um novo tempo para a África.

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