"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

19 de dez de 2011

A linha do tempo


Inapelável. Frustrante como qualquer derrota - algo normal e aceitável. O Santos não conseguiu endurecer o jogo como se esperava tinha esperança que fizesse. Respeitou demais seu adversário - que é merecedor de tal respeito, diga-se - e pagou o preço por isso.

Se você acompanhou a partida de hoje agradeça pela oportunidade. O mundo acaba de se render ao último time da "linha do tempo" do futebol. Linha do tempo que realmente permanece eterna, que realmente vale a pena ser lembrada.

A Hungria de Puskas, o Real Madrid de Di Stéfano, o Santos de Pelé, o Ajax de Rinus Michaels, a Holanda de Johan Cruyff, a seleção brasileira de 82, o Milan de Van Basten, o Barcelona de Messi...
  
Times que não foram "apenas" grandes times - grandes times houveram e haverão centenas - mas que marcaram época por reinventarem a forma de se praticar o esporte.

Cada vez que o Barcelona entra em campo, vemos uma página de um capítulo da história do futebol sendo escrita. Por parte dos adversários não há o que fazer além de aceitar e reverenciar. A era Barcelona só será encerrada pelo próprio Barcelona. Todas, absolutamente todas as forças do futebol mundial já tentaram; o que se tem de melhor no planeta já ousou desafiar a supremacia catalã e todos foram derrotados com extrema autoridade pelos espanhóis.

A superioridade é tanta que ser goleado por eles não é vergonha alguma, tampouco perder, e até mesmo a dor da derrota é amenizada. Apenas a oportunidade de desafiá-los por 90 minutos já deve ser encarada como uma honra, e uma chance única de "aprender" a jogar futebol.

O Santos tentou e assim como tantos outros fracassou. O placar é indiferente, o Barcelona o constrói como e da forma que desejar, independente de quem esteja do outro lado, e até mesmo a pouca atitude do time santista é perfeitamente compreensível diante de um time que transcende a realidade do futebol.


O Barcelona é hoje o dono do mundo, mas não pelo troféu conquistado, mas por tudo que representa. E o será até o dia da renúncia. Aos demais cabe aceitar, reverenciar, observar e aprender. E é bom que se diga, o Santos está no caminho certo: o caminho que conduz a "linha do tempo" do futebol.

12 de dez de 2011

A tal da fórmula mágica

Futebol não é uma ciência exata - clichê. Não há fórmula mágica para vencer partidas decisivas. Quando se chega a partida decisiva  de um campeonato, seja ele mata-mata ou pontos corridos, o segredo é não procurar segredos. O segredo, se é que podemos assim nomear, é manter exatamente o mesmo trabalho que tem sido feito até então. Mudar no momento derradeiro de um campeonato significa abrir mão de suas características e quase sempre o time que o faz paga preço alto por tal escolha.

Alemanha x Gana - Copa do Mundo 2010
 
Talvez o melhor exemplo que tenhamos visto nos "últimos tempos" seja a seleção alemã. Melhor futebol da Copa do Mundo de 2010, até encontrar a "temida" Espanha e permitir que o excesso de respeito minasse suas ambições de vitória. Hoje, a Alemanha joga o melhor futebol do mundo - e que futebol ! - , chegará a Copa de 2014 como força a ser batida e não fosse a postura adotada em uma única partida, aquela semi final diante da Espanha, e os alemães poderiam chegar ao Brasil lutando pelo penta, e não pelo tetra.

Espanha 1 x 0 Alemanha - Semi-final da Copa do Mundo 2010

É claro que essa é uma visão simplista de um esporte de muitas variantes e que passa longe da simplicidade. "Manter suas características" é referente a essência de seu futebol e não a mudanças táticas e técnicas que podem sim, eventualmente, fazerem a diferença. A questão é que se seu time é essencialmente ofensivo - caso da Alemanha na África do Sul - recuá-lo para jogar de maneira defensiva (contra-ataques) diante de um time taxado como "favorito" é suicídio. Não se assimila uma nova ideologia de jogo em uma única partida.

E é exatamente essa postura - manter sua essência - que o Santos deve adotar se desejar ter o mínimo de chance de realizar o que nenhum outro clube no mundo conseguiu: desbancar um dos maiores times da história do futebol - "o maior time de todos os tempos dos últimos vinte e quatro anos", idade de quem vos escreve. 

Real Madrid 1 x 3 Barcelona - Mais um show de Messi e cia.

Como vencer um time que cria espaços onde eles não existem ? Como explicar um time que joga sem zagueiros, sem atacantes - ao menos fixos - com quatro volantes e goleia ? [Se alguém souber as respostas por favor postem nos comentários]

Porém, há uma pequena vantagem - se é que podemos assim denominar - a favor do Santos nesse duelo. Explico.

O Barcelona vem ao longo das últimas temporadas colhendo os frutos de um trabalho iniciado trinta anos atrás, exercendo um ideologia de jogo de futebol implantada em todas as categorias do clube, que prioriza a posse de bola e a presença no campo adversário. Com esse sistema de jogo - que eu particularmente considero o "novo futebol arte" - o Barcelona vem "engolindo" todos que cruzam seu caminho e nessa lista estão todas as escolas de futebol do mundo(representadas por seus respectivos clubes): inglesa, alemã, italiana, holandesa(embora o próprio Barcelona tenha muitas influências desta) espanhola, russa, francesa entre outras.

Johan Cruyff - Líder da Holanda de 1974 conhecida como Laranja Mecânica. Idealizador do futebol total. fez história como jogador e treinador do Barcelona, um dos responsáveis pelo futebol atual do clube catalão.

Contudo, há uma escola, única, que o clube catalão ainda não enfrentou e que portanto é desconhecida por eles do ponto de vista prático; a brasileira.

Enfrentar um clube brasileiro é diferente. Enfrentar um clube brasileiro que está em busca de um título mundial é muito diferente. Enfrentar um clube brasileiro que está em busca de um título mundial e conta com Neymar e Paulo Henrique Ganso para tanto, é um caso de exceção.

Os times brasileiros pecam pela instabilidade emocional diante da frieza extrangeira, mas possuem uma determinação e uma química diferente de qualquer outra escola do mundo em partidas como estas e diferentemente de outros anos, o representante brasileiro conta com um jogador de exceção, temido pelos adversários e que por isso, impõe um respeito que clube brasileiro nenhum conseguiu em anos anteriores.

As esperanças santistas
 
Ao mesmo tempo que a tarefa do Santos de 2011 é imensamente mais complicada do que a de brasileiros em um passado recente, o time da Vila também é muito mais qualificado para tal conquista, por isso, as razões para se acreditar e duvidar são proporcionalmente iguais e é bom que se lembre: o esporte em questão é futebol. O imponderável certamente aprontará das suas.

6 de dez de 2011

Mais loucos do que nunca !

Todo texto sobre títulos e conquistas tende a ter o mesmo formato; erros e vilões desaparecem - nada mais natural - glórias são acentudas e heróis, cada um a sua maneira, aparecem em pencas. Um gol decisivo, uma defesa importante. Alguns segundos bastam para que ao final de sete meses seus nomes estejam escritos na história de um clube e mais do que isso, na história de vida de milhões de pessoas; que o digam Ramires e Adriano.

O campeonato mais emocionante da era dos pontos corridos - clichê de todos os anos, mas que dessa vez procede - chegou ao fim, com muitas histórias para contar. Epopeias dignas de oscar, roteiros que só o futebol é capaz de escrever.

Campeões se fazem com belas histórias e com o Corinthians de 2011 não é diferente. As provocações entre torcidas são válidas, fazem parte da cultura do futebol, mas reduzir a conquista corinthiana a erros esporádicos de arbitragem é pura pobreza de espírito. O Corinthians é campeão com todos os méritos, assim como também o seria o Vasco em caso de título.


Pensando em como definir o Corinthians cheguei a conclusão de que é um time "velhaco" - o que casa muito bem com sua essência de "maloqueiro sofredor" . A impressão que eu tinha ao assistir as partidas do Corinthians, contra qualquer adversário, era a de ver uma disputa entre um "senhor" já bem vivido, que conhece todas as malandragens da vida e que portanto sabe a hora certa de agir ou não, contra um jovem impetuoso, afobado, que sempre esbarrava na "sabedoria anciã" alvinegra.

Um time frio - na melhor definição da palavra - calculista, que sabe a hora certa da dar o bote e acima de tudo eficiente (chega a me lembrar a Internazionale de Mourinho). Um grande time sim, a sua maneira. Oscilou sim, porém não mais que seus adversários.

Em bom "Titês", a "administrabilidade" desse título e tudo mais pelo o que passa o clube - reestruturação - é responsabilidade direta de Andrés Sanchez, que embora polêmico, é o melhor presidente da história do clube; bancou Tite no comando quando a "dona" do time exigia sua saída e colhe agora os frutos de suas convicções.

Tite e Andrés Sanchez

Dentro de campo, a "tecnicabilidade" de Tite foi fundamental para a conquista.O treinador demonstrou possuir todas as qualidades essenciais ao técnico de futebol: frieza, conhecimento tático, leitura de jogo e um profundo conhecimento de futebol e dos seus próprios jogadores. Tite sempre soube o que esperar e extrair de cada um deles, além de uma consciência de momento importantíssima, tanto em substituições cirúrgicas durante as partidas, como em escalações e formações táticas em períodos de oscilação da equipe.

Por si só o dia já seria inesquecível, porém, o mesmo dia que terminou com uma verdadeira festa do futebol brasileiro com o desfecho de um campeonato espetacular, começou com uma perda imensurável à todos.

Ficamos órfãos do nosso "Doutor" da bola. Perdemos um gênio dentro das quatro linhas e um homem que, apesar dos seus hábitos que nos privaram de usufruir por mais tempo de sua companhia, era de uma integridade e de uma sabedoria tremenda fora delas.


Quis o destino que a nação corinthiana perdesse em um dia de conquista um dos líderes de sua mais importante época. Sócrates, um dos líderes da Democracia Corinthiana. Líder eterno de uma nação que só pode ser compreendida por seus integrantes. Como dizem meus amigos corinthianos: "Só quem é".

Título, Libertadores e prêmios individuais. O Campeonato Brasileiro de 2011 está muito bem entregue.


Parabéns Sport Club Corinthians Paulista, Penta Campeão Brasileiro de Futebol !

28 de nov de 2011

Provincianismo na medida certa

O dinamismo do futebol e dos conceitos que o cercam ficam latentes a medida que um campeonato se aproxima do fim. O exemplo mais claro da edição deste ano é o tal do provincianismo que, por conta de uma mudança na tabela que - não se enganem - "deu certo por acaso", aumenta de forma significativa a emoção nas rodadas finais

O provincianismo, bairrismo, ou seja lá que nome você dê a toda forma de disputa local, que ontem causava as "entregas" e discussões intermináveis sobre ética, hoje promovem espetáculos que ainda que contassem com roteiros e scripts cuidadosamente planejados não seriam tão perfeitos - então sim, para não dizerem que erros são apontados e acertos ignorados, a mudança na tabela com os clássicos nas últimas rodadas foi ótima para o campeonato, ainda que o efeito tenha sido "sem querer" já que o objetivo era evitar o "corpo mole" de A para prejudicar B e não "confrontos diretos" de A e B. Isso entra na conta do futebol e seu incomparável hábito de aprontar das suas.

Chegamos a última rodada com simplesmente todas as partidas valendo alguma coisa pra alguém; título, Libertadores, sobrevivência, água no chope dos rivais e uma certeza: os defensores do mata-mata e seus "jogos decisivos" precisam rever seus conceitos.

Partidas distintas que decidem o desfecho umas das outras; torcedores vendo o jogo do seu time de coração e ouvindo o que seus rivais faziam a quilômetros de distância; corações disparando a cada anúncio de gol. UM gol, unidade mínima de contagem, mas que foi capaz de mudar, ao menos temporariamente, o destino de três clubes de uma só vez. O Cruzeiro vencia o Ceará por 2x1 até 36 minutos do segundo tempo, o resultado livrava o time mineiro do descenso e rebaixava de uma só vez Ceará e Atlético-PR. UM gol cearense a nove minutos do fim, 2x2. E o destino dos três adiado por mais uma semana. 

UM gol, capaz de explodir de alegria e mergulhar na tristeza dois estádios simultaneamente. Cena que mais se viu na tarde de ontem.

UM gol perdido, nessa ou naquela partida que parecia menos importante, mas que ao final de oito meses de disputa custará a quatro clubes o lugar na primeira divisão.

Gol. O momento mais sublime do futebol. Desprovido de razão. Dominado pela emoção. Emoção tão fundamental quanto inexplicável. Vivida de forma intensa e que faz valer a pena.

Qualquer discussão racional sobre qualquer ponto de vista hoje, sobre a rodada de ontem, faz-se vazia. Dias como o de ontem são para serem vividos e nos trazem a certeza de que se nos bastidores o futebol "começa" a sofrer do mesmo mal que afeta grande parte da sociedade, dentro de campo a "ilha da fantasia" permanece intacta. Imune a podridão externa. Fazendo prevalecer sua magia e essência fundamental e, como vimos ontem, por vezes com uma ajudinha do imponderável.

21 de nov de 2011

A epopeia do Imperador

É indubitável que a cobertura esportiva da imprensa é diferente das demais editorias - cultura, política, saúde entre outras. Embora a produção de textos siga as mesmas regras de construção e seja obviamente necessário, como em qualquer outra parte do jornalismo, comportamentos como a checagem das informações e fontes, há uma particularidade da cobertura esportiva que a torna única: a emoção deve-se fazer presente.

O leitor do jornalismo esportivo deseja ver o sentimento que aflorou durante os noventa minutos de partida estampado nas capas dos jornais e revistas no dia seguinte, catalisando para o bem ou para o mal a alegria ou frustração do resultado; glorificando heróis, caçando culpados.

A imprensa esportiva não precisa de ídolos, precisa de personagens - se o pensamento é equivocado ou não cabe discussão - fato é que são as grandes histórias que movimentam as páginas dos diários esportivos.

O personagem do momento é, obviamente, Adriano; e será até o fim do campeonato. Resta saber se com o mesmo status, o de herói, até o fim.

A inconstância e a imponderabilidade - falando em bom "Titês" - do futebol são certamente atrativos que cativam os torcedores. Tivesse o chute de Adriano um outro fim que não o fundo das redes mineiras e estaríamos todos questionando as escolhas do homem responsável diretamente pelas duas últimas vitórias corinthianas: Adenor Tite.


Se o Corinthians vai ou não se segrar campeão em um campeonato tão maluco quanto emocionante é impossível dizer, mas em uma jornada de oito meses onde certamente há muitas histórias a se contar e personagens a e se destacar, Adriano está, sem sombra de dúvidas, entre as mais inesperadas delas.

17 de nov de 2011

O canto da sereia

A cultura brasileira é rica em lendas folclóricas, porém, para a maioria das pessoas - com exceção as que obviamente apreciam o assunto ou escolhem uma profissão que de alguma maneira o aborde - o contato com essas estórias dá-se na época escolar e com a mesma se encerra.

Entre essas diversas estórias está a lenda da Iara que, de maneira simplista, reza que uma bela sereia de cabelos negros e olhos castanhos que vive nas pedras das encostas dos rios do país costuma atrair os homens com seu irresistível canto, levando-os para o fundo de onde nunca mais voltam, ou, se voltam, acabam enlouquecendo.


A metáfora é válida para ilustrar o atual momento do campeonato brasileiro - e não é minha. Foi usada pelo mestre do comentário esportivo Renato Maurício Prado como alerta para a própria situação que começa a se desenhar no topo da tabela.

RMP usou a expressão do canto da sereia, mais de uma vez, ao ser questionado sobre o papel do Vasco na Copa Sul-americana. O clube que já garantiu vaga na Taça Libertadores do ano que vem com o título da Copa do Brasil, optou por lançar força máxima na competição continental simultaneamente a disputa do campeonato brasileiro confiando na força do seu elenco, conquistou uma vitória tão épica quanto desgastante enquanto seu principal concorrente pelo título nacional assistia do sofá, encarou um clássico - sempre desgastante - logo depois, venceu e depois dessa sequência acaba de perder três pontos que todos davam como certos.

Diego Souza sofre a forte marcação palmeirense e tem atuação apagada

Se o desgaste foi ou não determinante nessa partida específica - e a opinião do blogueiro que vos escreve é que sim - cabe discussão. Mas que o Vasco se deixou levar pelo canto da sereia sul-americana é fato; e agora se vê obrigado a vencer as três partidas que restam, torcer para um tropeço do Corinthians e tudo isso em meio as semi-finais da competição continental contra provavelmente ninguém menos que Universidad de Chile.

Não interpretem esse post como uma apologia ao "descarte de competições" - até porque sou contra e acho perfeitamente possível um clube conquistar tudo que disputa, temos inclusive muitos exemplos no brasil e no mundo - encarem como a realidade do futebol brasileiro, onde o calendário - sempre ele - muitas vezes impõe a necessidade de prioridades e como uma avaliação de erros de estratégia cometidos pelo clube carioca.

O futebol é craque em driblá-la, mas a sabedoria popular as vezes marca presença; "Quem muito quer nada tem" esse com certeza não é e nunca será o lema de um clube vencedor, entretanto, aspirar todos os títulos que disputa é louvável e ficar sem nenhum é, as vezes, o preço que se paga por tão nobre postura.

16 de nov de 2011

Utopia x Realidade

Se você trabalha em um ambiente administrativo - escritório - ou, independente disso, faz uso da alguma maneira de um calendário, com certeza o faz com o objetivo de organizar sua agenda e suas tarefas diárias. Logo, concluimos que: calendário remete a uma série de benefícios organizacionais para o usuário, para que seus compromissos e atividades não se sobreponham em um mesmo horário e prejudiquem uns aos outros.

Tempo e administração do mesmo. Algo que falta à sociedade moderna. Diferentes interesses nos conduzem a uma série de compromissos que por vezes trazem a sensação de que nosso dia precisaria de 50 horas no mínimo - fora o tempo de sono, claro.

 
Feita essa observação sobre calendário, tempo e administração, chego ao ponto convergente desses três elementos no assunto futebol; a seleção brasileira.

O apito final da partida de ontem entre Brasil(2) e (0)Egito pôs fim também no primeiro ano - na prática - de preparação e renovação da seleção brasileira para a Copa de 2014 sob o comando de Mano Menezes. E como é de praxe, finais de temporadas - e anos - são marcados pelos famosos balanços e retrospectivas, que no caso da seleção brasileira apresenta um aspecto curioso.

Embora tenha enfrentado algumas grandes seleções durante o ano, o principal adversário, que a seleção é obrigada a enfrentar e driblar - muitas vezes sem sucesso - reflete a mesma imagem no espelho e atende pelo nome de CBF.

Granja Comary - Local de concentração da seleção principal e categorias da base da seleção brasileira.
 
O calendário organizado por Ricardo Teixeira e sua trupe parece ter a intenção clara de prejudicar o futebol nacional de forma geral, desfalcando times em meio a campeonatos, o que prejudica não apenas de forma, prática com resultados em campo, mas bilheterias, espetáculo, entretenimento, emoção, ou alguém duvida que não tivesse a seleção tirado Neymar de nada menos que 14 partidas do Santos no brasileiro e o time da baixada estaria brigando pelo título ? - isso para citar apenas o craque, já que o mesmo Santos, que todos apontam como "o time que seria o acima da média do campeonato" perdeu uma série de jogadores para várias categorias de base da seleção. 

O mesmo calendário que obriga o treinador da seleção a convocar ora jogadores "nacionais" ora "extrangeiros" atrasando e prejudicando o cronograma de trabalho na formação de um time, já que não somos capazes de, como todo o resto do mundo, organizar campeonatos que sejam paralisados em compromissos do selecionado nacional.

O problema é crônico e de conhecimento público mas...

CALENDÁRIO 2012:
Pré-temporada: 5/1 a 21/1
Estaduais: 22/1 a 13/5
Libertadores: 25/1 a 4/7
Copa do Brasil: 7/3 a 25/7
Copa do Brasil Feminina: 3/3 a 12/5
Série A: 20/5 a 2/12
Série B: 19/5 a 24/11
Série C: 27/5 a 7/10
Série D: 27/5 a 30/9
Copa Sul-Americana: 8/8 a 12/12

...continuará. Quinze dias para a tão fundamental e primordial pré-temporada para CINCO MESES de, que me desculpem os admiradores, campeonatos estaduais absolutamente INÚTEIS - exceção feita ao espetáculo dos estaduais nordestinos que poderiam tranquilamente continuar como os únicos, já que seus clubes disputam divisões inferiores nos demais campeonatos e possuem um calendário repleto de alternativas e difícilmente sofrem com convocações por exemplo.

Torcida do Santa Cruz - Exemplo de fidelidade das torcidas nordestinas

Os estaduais sobrevivem por seu passado e é justamente em respeito a esse passado tão representativo ao futebol brasileiro que deveriam ser urgentemente revistos quiçá extintos, porque atualmente a única serventia desses campeonatos é gerar crises e derrubar treinadores. Vencer o que não vale nada aos olhos dos torcedores é obrigação, perder é sinônimo de vergonha.

Mas como preencher os meses de estaduais se os mesmo forem eliminados do calendário ? Simples. A pré-temporada seria esticada para o tempo que lhe é devido, o campeonato brasileiro desafogado para que jogadores não sejam forçados a um ritmo absurdo de partidas e o tempo restante poderia ser preenchido de diversas formas como por exemplo as saudosas excursões que os times brasileiros costumavam promover pelo mundo outrora. Sem mencionar que comissões técnicas teriam tempo para trabalhar e treinar, o que acrescentaria muito em qualidade técnica e tática aos jogos.

Santos de Pelé excursionando pela Europa
 
Entretanto, o problema do calendário é inerente aos interesses políticos de um homem que para muitos é tão poderoso quanto a presidente da república e que manipula o futebol brasileiro da maneira que bem entende em busca de poder e de seus objetivos pessoais.

A seleção brasileira se transformou em uma ferramente de prestígio e influência política nas mãos de Ricardo Teixeira, que sonha em ser o substituto de Joseph Blatter no comando da entidade máxima do futebol e para conseguir o apoio necessário para tanto, promove situações absolutamente descabidas como essa...

Imagem do amistoso da seleção brasileira contra o Gabão - gramado em condições absurdas.

... sem se importar em agregar a imagem da seleção com ditadores e dinastias que controlam nações de maneira autoritária e até violenta há décadas.

A seleção não pode simplesmente querer "levar alegria a um povo sofrido" sem se importar com os meios e conexões tácitos a esses "gestos". Há certos papéis que não cabem e não convém a um time de futebol e a nação que o mesmo representa.

Fato é que essa é uma questão que envolve muitos interesses. O futebol é quase uma fachada e a imagem da seleção brasileira é a última preocupação do homem que comanda a nossa confederação.

A contrariedade de desejos e aspirações no futebol é latente. Cobramos profissionalismo mas nos recusamos a aceitar que "futebol virou negócio". Movimenta a paixão de milhões de pessoas, mas movimenta também a economia de maneira muito significativa. Uma quantia inimaginável é gasta todos os anos em publicidade. Centenas de milhões em investimento físico [atletas e infra-estrutura] e inovações tecnológicas em medicina esportiva, entre outras coisas.

Ricardo Teixeira - presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Claro que profissionalismo é bem diferente da politicagem barata e nojenta praticada por Ricardo Teixeira e deve ser o caminho do futebol brasileiro. Inevitável e indispensável. O fato, é que a teoria da "ilha da fantasia" no futebol é uma utopia. Um artifício para que os românticos - como eu - mantenham seu sentimento pelo esporte inalterado.

11 de nov de 2011

O poder da comunicação

Tenho um professor que costuma dizer que os estudantes de todos os outros cursos sentem inveja de nós - estudantes de comunicação - pois nada acontece sem que "nós" - leia-se comunicação - estejamos presentes.

Como qualquer outro segmento da vida, a comunicação passou por intensas transformações e evoluções, a diferença é que sua origem é tão antiga quanto a do homem.


Desmembrando a comunicação em suas diversas formas e áreas correlatas, que nada mais são do que formas de comunicação derivadas que convergem em uma mesma origem, encontraremos exemplos de quão antiga é essa "habilidade" humana. A comunicação visual, por exemplo, encontra seus primeiros relatos na era primitiva, com representações em cavernas e montanhas. Certa feita, diante destas gravuras, um gênio da pintura do século XIX exprimiu em poucas palavras o sentimento do homem diante de formas tão singulares: 
"Não aprendemos nada com eles" - Pablo Picasso

Avançando um pouco mais na linha do tempo encontraremos a tal da publiciadade, que pode ser encontrada nos tempos dos grandes impérios - gregos, romanos, egípcios - com monumentos grandiosos sendo construídos para remeter às conquistas e feitos de grandes imperadores e reinos - qualquer semelhança com o horário eleitoral gratuito não é mera coincidência.

Fato é que 2010 anos d.C vivemos, mais do que nunca, imersos em todas as formas de comunicação possíveis e de certa forma, nossas vidas são regidas por elas e por vezes decisões que tomamos nada mais são do que um reflexo de sua manipulação influência em nossas vidas e claro, como não poderia deixar de ser, cada decisão que tomamos acarretará consequências, sejam elas boas ou ruins.

Vivemos uma semana história, que acredito, será um divisor de águas no futebol brasileiro. O dia do fico, protagonizado pelo imperador do Brasil 500 anos atrás se repetiu, com uma figura que pode vir a ser tão representativa quanto D. Pedro de Alcântara.


Há duas formas de encararmos a permanência de Neymar no futebol brasileiro - já é até um clichê mas não há outra expressão a ser usada - a romântica e a não romântica. E claro, ambas podem ser analisadas pelo olhos da comunicação.

A romântica é simples: o fico de Neymar representa a valorização e o reposicionamento do futebol brasileiro em seu patamar merecido. Uma mensagem clara aos clubes europeus mas fundamentalmente aos próprios clubes brasileiros que é possível realizar uma disputa de mercado de iguais. Uma mensagem aos jogadores que não é preciso sair do Brasil para se conquistar o status que se sonha.

A não romãntica é óbvia e não adianta se enganar, sempre estará presente: dinheiro. É preciso que se mantenha em mente que futebol é profissão, logo, o meio de subsistência de quem nele ganha a vida.Tomar qualquer decisão em relação ao futuro sempre levará em conta a questão financeira, como qualquer profissional de qualquer área. E nesse aspecto, a comunicação faz-se presente de maneira significativa.


Neymar é hoje o objeto de desejo de qualquer empresa e agência publicitária. Principal garoto propaganda do "país do futebol", que está prestes a receber o maior evento esportivo do mundo e com ele o investimento de todas as grandes marcas do planeta que desejam ter suas imagens agregadas a tal evento. A pequena fatia desse bolo que certamente irá para o bolso do craque santista é imensamente mais vantajosa do que um contrato no futebol do exterior com a Europa prestes a quebrar.

Em suma, a permanência de Neymar significa o crescimento de uma nação, a evolução administrativa de clubes que primam pelo amadorismo e acima de tudo a certeza de que não é preciso atravessar as fronteiras para se ter o reconhecimento devido.


Neymar veio ao mundo para fazer história e mudar os rumos do futebol brasileiro, e tudo isso com uma lição a cada entrevista: a de que é fundamental e imprescindível amar e ser feliz com o que faz. Portanto se você tem alguma dúvida em relação ao seu futuro, lembre-se da mensagem do garoto que certamente terá um brilhante pela frente.

8 de nov de 2011

Falta ! [?]


Falta [!] um grande time no campeonato brasileiro. Justificativa encontrada pelos adeptos da teoria de que "o campeonato é nivelado por baixo", para explicar o equilíbrio - quase esquizofrênico, se é que algo esquizofrênico pode ser equilibrado mas enfim[...] - dessa edição da maior competição do país.

O que Falta [!] mesmo são os times corresponderem em campo suas escalações no papel - essa aliás é mais uma das teorias que tentam explicar o inexplicável: "times de papel". Falta [!] é coerência em um esporte incoerente onde os mesmos times, que diferentemente de outras épocas contam com os principais jogadores do país em seus elencos, alternam jogos memoráveis e outros sofríveis tornando a tabela uma gangorra absolutamente imprevisível.

Falta [!] é nexo quando os times que disputam o campeonato mais equilibrado do mundo saem para disputar uma competição sul-americana de segundo porte e tomam um baile de times teoricamente inferiores - na verdade acho que Falta [!] é a gente aprender de uma vez por todas que teoria não se aplica no futebol.

Falta [!] é aprendermos que muitas vezes não adianta tentarmos explicar, simplesmente não há explicações. E talves a Falta [!] de explicações seja o principal alicerce do amor dos torcedores ao esporte bretão.

Começo a desconfiar que na verdade Falta [!] é conhecimento, discernimento e compreensão; e que os especialistas de futebol na verdade são especialistas "coisa nenhuma"; ou seria "de coisa nenhuma" ? Taí, Falta [!] resposta para essa pergunta também.

4 de nov de 2011

"Feitos para serem quebrados"

Assumir o status de "mito" no mundo esportivo já foi tarefa mais árdua, atualmente, qualquer sequência de bons resultados e alguns poucos títulos fazem o atleta trilhar o caminho revelação-ídolo-mito em um curtíssimo espaço de tempo.


Procurando a definição exata do termo você encontrará algo como: narrativa que visa explicar as origens do mundo e do homem por meio de deuses e semi-deuses. Porém, no uso cotidiano, a expressão é muitas vezes usada de forma pejorativa para se referir à crenças comuns - sem embasamento científico - e no futebol, o que não faltam são crenças e superstições que alimentam o imaginário formando a cultura do esporte nos quatro cantos do país.


Há algum tempo atrás, escrevi sobre a banalização das expressões no futebol - em especial a "zebra" - por isso não vou cair na contradição aqui de banalizar o "mito" - até porque não o considero, ainda, como tal. Mito, ao meu ver, são atletas como Ayrton Senna, por tudo que fez, mas acima disso, pelo o que representava à todos; Michael Jordan, um atleta que marcou época e revolucionou a maneira de se ver e praticar o esporte - porém, apesar de não se encaixar no status, Neymar já se revelou um demolidor de mitos, no sentido pejorativo do termo.


Um a um os mitos que habitam o futebol brasileiro de maneira tão enraizada estão caindo por terra diante da surpreendente postura do jovem postulante a futuro "mito".

O mito de que "ninguém mais joga por prazer" - Neymar joga bola até nas férias, sozinho já jogou mais partidas do que muitos clubes na temporada e mesmo diante de uma maratona exaustante, se recusa a ficar de fora de uma partida sequer. Se isso não é prazer pelo o que faz é o quê ? masoquismo ?

O mito de que "ninguém quer ficar no Brasil" - Propostas milionárias não faltaram, onde está Neymar ?

O mito de que "não se joga por amor a camisa"  - Você imagina Neymar em outro time brasileiro ? Aos que argumentarão que ganhando o que ele ganha é fácil amar o clube, o garoto ganha o que ganha por mérito próprio, reconhecimento de um trabalho bem feito - estou expondo o fato, não defendendo que o valor é justo - muitos que ganham tanto ou mais dinheiro por aí viram as costas aos clubes sem pensar duas vezes na primeira proposta vantajosa.

O mito de "modelo jogador" - Neymar vende. Demonstra a mesma habilidade e carisma dos campos na publicidade, algo que poucos esportistas, de forma geral, são capazes de fazer.


O mito de que "para ser o melhor do mundo, precisa-se jogar na Europa" - O garoto ainda não venceu, e difícilmente irá, mas está entre os vinte e três selecionados pela FIFA para o prêmio de Bola de Ouro e convenhamos, entre os vinte e três está seguramente entre os dez melhores. As vésperas de uma Copa do Mundo no Brasil, alguém duvida de que com um eventual título brasileiro, arrebentando na Copa, mesmo que ainda esteja no Santos, o garoto leve o título de melhor do mundo ?

Capa de um dos mais famosos simuladores de futebol com a camisa de um time brasileiro ao lado de ninguém menos que Cristiano Ronaldo - Neymar fazendo história em todas as "modalidades" de futebol.

 O garoto que é um fenômeno, técnico e fisiológico - mas isso é assunto para outro post - está reposicionando a expressão "mito" no vocabulário futebolístico, ela agora faz companhia a expressão "tabu" na seção "feitos para serem quebrados".

26 de out de 2011

Um casamento singular

Uma competição única, que conta com o que há de melhor no mundo do futebol, só poderia ser patrocinada por uma empresa singular, que oferece em cada um dos seus produtos o diferencial necessário para que o consumidor sinta-se igualmente único e desfrute de momentos inesquecíveis.

Além do comprometimento com a qualidade, a marca remete, em todos os seus aspectos, à verdadeira essência do futebol: alegria.

Apreciados nos quatro cantos do mundo, Heineken e futebol é o casamento perfeito para aqueles que desejam viver uma experiência sem precedentes e inovadora.



Post patrocinado por Heineken, patrocinadora oficial da UEFA Champions League.

22 de out de 2011

Équilibre parfait

Na semana em que tivemos a corroboração do óbvio - leia-se politicagem no futebol tabela da Copa do Mundo - vou, como amante do futebol - embora muitos se esforcem para acabar com tal sentimento - deixar uma dica aos leitores que, como eu, preferem "continuar acreditando" que o futebol é uma "ilha da fantasia" imune aos males que apodrecem os demais segmentos da sociedade.


Pode parecer estranho, já que estamos em uma reta final de campeonato brasileiro que promete grandes emoções até a última rodada - rodada aliás que nos reserva clássicos simplesmente fantásticos - mas, recomendo, aos que puderem, a acompanhar os jogos do Paris Saint-Germain pelo campeonato francês.

O clube da capital francesa investiu no futebol sul-americano dentro e fora dos gramados para voltar ao caminho dos títulos. Além de anunciar a maior contratação da história do futebol francês, o argentino Javier Pastore - que vem correspondendo o investimento de 43 milhões de euros diga-se - chegaram ainda o capitão da seleção uruguaia, campeã da Copa América, Diego Lugano, e, para assumir o cargo de novo diretor esportivo, o brasileiro Leonardo.

Javier Pastore e Nenê - Dupla de meias de fazer inveja a qualquer clube do mundo

O time de Antoine Koumbouaré, é interessantíssimo na teoria, armado em um 4-4-2 em quadrado com Nenê - que vem jogando o fino da bola desde a temporada passada - e Javier Pastore - craque - na armação, o oportunista Kevin Gameiro no comando do ataque e Diego Lugano liderando o sólido sistema defensivo; e melhor ainda na prática, com um futebol envolvente e ofensivo, o típico time "sanfona": compacto, rápido, com um meio campo que, apesar de contar com dois meias criativos, dá combate, principalmente com o incansável Sissoko, e avança em bloco.

O PSG conta hoje com o que este blogueiro costuma chamar de "equilíbrio perfeito" - ou quase - em relação a importância de jogadores e suas funções; a mescla perfeita de craque, bons jogadores e operários. Ao contrário do que todos imaginam, um time perfeito, ou que se aproxime disso no futebol, prima por uma série de fatores que não apenas onze grandes jogadores; é necessário que eles se completem e não se anulem, que interajam e não concorram e que executem suas funções sem esperar o reconhecimento da função do outro.

15 de out de 2011

Banalização da "zebra"


Zebra - Mamífero, membro da mesma família dos cavalos, os equídeos, nativa da África central e do sul.
 Wikipédia

Embora o "pai dos burros" nos dê o significado - óbvio - de "zebra", o futebol faz - assim como faz com tantos outros termos - o que dele bem entende. No jargão futebolístíco, zebra significa um resultado inesperado, onde um time muito forte é surpreendido por outro bem inferior a ele; mas para tal termo ser usado corretamente, é necessário e fundamental que se faça uma análise de momento e não histórica.

Leve em consideração a camisa e a história, e a derrota dos hermanos para a Venezuela é uma zebra colossal. Leve em consideração o que se deve levar - o momento - e a verdadeira zebra apareceira em caso de vitória argentina em Puerto de la Cruz.

A torcida é movida pela emoção, não quer saber de análises frias e realistas - o que é perfeitamente compreensível e natural quando se trata de torcida, desprovida do mínimo de razão e auto crítica em suas análises - e ao ver do outro lado uma equipe sem expressão, que até outro dia era o saco de pancadas da América do Sul, o único resultado aceitável é a vitória. Que sá goleada. Fora o baile.

O surpreendente - muito mais do que o resultado da partida diga-se - são os "profissionais" da imprensa compartilhando do mesmo pensamento "irracional" da torcida. Qualquer um que acompanha futebol de maneira imparcial, analítica e que tem o mínimo de bom senso sabe muito bem que a seleção venezuelana vem de uma crescente, desde as categorias de base, que já significa o melhor momento de sua história. Um time que, embora ainda conte com a altitude como camisa 10, é muito organizado taticamente.

Em contra partida, nossos hermanos há muito tempo - põe muito nisso - não sabem o que é bom futebol. Uma seleção sem nenhum padrão de jogo, que conta com grandes jogadores - ofensivos - mas que sofre com a péssima administração extra campo. [Depois de tempos a Argentina tem um treinador de verdade, mas que precisará de tempo e que sofrerá com o imediatismo do lado de lá da fronteira. Qualquer semelhança não é mera coincidência]

Futebol não é feito de uma lógica simples, há muitas variantes e aspectos a serem levados em consideração antes de se empregar determinados termos para que não fiquem fora do contexto da realidade, e a realidade atual é uma só: a Venezuela vive ótima fase equanto a Argentina não vem jogando rigorosamente nada. De zebra, a derrota argentina vitória venezuelana não tem NADA.

9 de out de 2011

Samurai chileno

Reza a lenda que nos arredores de Tóquio vivia um ancião que, ao ser atingido pela inevitável ação do tempo, passou a se dedicar a ensinar o zen para os jovens postulantes a samurai. Dizia-se ainda que o velho samurai, apesar da idade, era capaz de vencer qualquer adversário.

Certa feita, apareceu por ali um jovem, conhecido por suas habilidades com a espada e completa falta de escrúpulos; usava o artifício da provocação para atrair seus oponentes e então aplicar o bote fulminante com uma astúcia, incomum, porém de certa maneira admirável, para sua pouca idade.

 
Na intenção de aumentar sua fama, o jovem resolveu desafiar o velho ancião para um duelo; a contra gosto de todos os seus discípulos, o desafio foi aceito pelo velho samurai.

Na praça do pequeno vilarejo, diante dos olhares de todos, o jovem passou a impor, ou ao menos tentar, sua forma pouco ortodoxa de induzir o adversário ao erro para alcançar a vitória. Passou a agredir de todas as maneiras possíveis, que não físicas, o velho ancião, que de forma impassível e serena, continuou em silêncio.

Depois de horas gritando todos os insultos possíveis, o impetuoso jovem retirou-se exausto e humilhado.

Ao ser indagado sobre o motivo de ter aceito tantas agressões calado, o velho ancião deu a seguinte explicação:
- Se alguém chega até você com um presente mas você não o aceita, quem fica com ele ?
- Quem tentou entregá-lo. Respondeu o discípulo.
- Pois bem, o mesmo serve para as agressões e insultos.

Ontem, assistindo a partida entre Argentina e Chile [4x1], por algum motivo - bizarro - lembrei desta fábula. Há algum tempo a seleção chilena me lembra o jovem audacioso que usa todas as suas artimanhas para se impor e agredir - quando digo "agredir" não me refiro a físico e sim a um futebol ofensivo - o adversário; induzí-lo a "aceitar a provocação" e entrar na sua correria, o que eventualmente abriria os espaços na defesa adversária, espaços que diante de um ataque que conta com Suazo, Alexis Sanches [desfalque na partida de ontem] e Valdívia, podem custar muito caro.

Assim como na fábula, o "jovem" chileno tem encontrado, se não anciãos, adversários serenos e conscientes que mesmo jogando em casa não se afobam diante de uma audaciosa seleção que não tem medo de encarar de igual para igual quem quer que seja e que tem pago o preço por sua tolice coragem.

Porém, o que difere o jovem da fábula do "jovem" chileno é o fato de que os adversários do "jovem" chileno não têm esperado que ele se retire com o gosto amargo da derrota, mas têm imposto tais derrotas com a arma mais usada pelo jovem da fábula: o contra golpe fulminante.

Ousadia e ambição são características louváveis, se com elas estiverem certa dose de
sabedoria e paciência. Há sentimentos e características que não nos conduzem ao caminho desejado se com elas não estiverem inerentes seus valores antônimos.

OBS: Sobre a partida da seleção brasileira me abstenho de qualquer comentário, afinal, é impossível comentar o nada. Vou apenas observar, como diria Tim Vickery: "o comportamento maníaco depressivo" da torcida e de parte da imprensa que não sabe diferenciar uma análise de momento de uma análise mais ampla. O lixo e o luxo se alternam no dia a dia das manchetes.

4 de out de 2011

A volta do romantismo

Sob a sombra de tranquilidade propiciada pela seleção "B", a seleção brasileira, "A", começa a se apresentar para o amistoso de sexta-feira contra a Costa Rica.

A imprensa repercutiu a vitória diante da Argentina de todos os pontos de vista possíveis; táticos, técnicos, psicológicos em termos de resultado para treinador e jogadores, sob o aspecto de descoberta de jovens capazes de assumir a responsabilidade de vestir a camisa mais vencedora do futebol mundial, entre outros; deixando de fora o fator mais importante da partida em Belém: o resgate da identidade e unicidade entre seleção brasileira e torcida.


Pergunte a um torcedor na faixa dos 50 e 60 anos o que representava a seleção brasileira em sua juventude, depois pergunte a um jovem torcedor de hoje o que ele prefere, seu clube de coração ou a seleção brasileira...

Vivemos em uma sociedade de valores absolutamente invertidos em todos os segmentos, esportivo, político, social e econômico; aonde o ético é inerente a conveniência dos fatos.

Há tempos a seleção é vista e "vendida" sob a feição negativa da incompetência de gestões técnicas anteriores, que deturparam a essência do futebol brasileiro com posturas defensivistas, e da corrupção da CBF, que sob os mandos e desmandos de Ricardo Teixeira faz o que bem entende com tudo que diz respeito a futebol no país.

 
O romantismo, desconhecido por uma geração que cresceu ouvindo que o que realmente importa são os clubes, que outrora movia uma nação inteira por amor a um selecionado começou a ser resgatado em Belém, deixando claro e evidente de que no futebol toda e qualquer ação acarretará consequências, boas ou ruins, a curto e longo prazo, individual ou de maneira mais ampla. Explico.

O emocionante hino nacional, emblemático nesse resgate da relação torcida x seleção, que vimos em Belém, começou a ser tocado meses atrás, na Vila Belmiro, quando o presidente Alvaro Ribeiro elaborou um plano bem sucedido para manter Neymar no Brasil e desencadeou um efeito dominó no futebol brasileiro.


Hoje o maior ídolo do futebol brasileiro atua no país, as maiores esperanças permancem em seus clubes, a torcida acompanha seus ídolos de perto e transfere essa relação de amor e admiração para a seleção ao vê-los vestindo a amarelinha. A "desconhecida" seleção formada de "europeus", sem representatividade nenhuma para os torcedores brasileiros não existe mais e os pais que se acostumaram a ver Zico, Pelé e Falcão entre as camisas de Flamengo, Santos e Internacional e da seleção brasileira, podem hoje mostrar à seus filhos Ronaldinho, Neymar, Leandro Damião, entre outros, na mesma situação.

Uma vitória contra nossos tradicionais rivais - não inimigos, porque futebol é esporte e não guerra - com uma seleção genuinamente brasileira, o passo mais importante e representativo do, tão criticado, trabalho de Mano Menezes; que apesar dos pesares, foi capaz, ainda que beneficiado por um série de fatores, de realizar o que nenhum outro conseguiu em muitos anos - e estamos falando de nomes como Zagallo, Parreira e Felipão - reconciliar a Seleção Brasileira de Futebol com seu maior patrimônio: sua torcida. [Que seja eterno enquanto dure...]

28 de set de 2011

Manipulação de massa

A imprensa é reflexo da sociedade, seja qual for sua área de abordagem, e o catalisador, para o bem e para o mal, dos acontecimentos da mesma. Publica-se o que vende, de acordo com a aceitação do público, infla-se ânimos exacerbados, coloca-se panos quentes quando lhe convém, e a sociedade embarca, por vezes de forma alienada, outras tantas por consciente comodismo.

Polêmicas a parte, leia-se Mário Fernandes, a imprensa esportiva do Brasil, como é natural, não fala em outra coisa que não a partida da seleção brasileira diante da Argentina nessa quarta-feira. Vive-se o clima de seleção brasileira, especula-se sobre escalações e principalmente sobre a situação do treinador em caso de vitória ou derrota, e a medida em que toca-se em determinados assuntos, a repercussão do que está por vir aumenta gradativamente.

Somos manipulados, para o bem e para o mal, de forma inconsciente, ou não. A palavra é forte, mas muitas vezes é essa a função do jornalista ou publicitário, persuadir o leitor a compartilhar de uma opinião ou o consumidor a adquirir um produto.

A partida dessa noite entre Brasil e Argentina é um exemplo claro da influência da imprensa no dia a dia das pessoas. Enquanto a imprensa brasileira infla os ânimos e acende o pavil pronta para implodir o emprego do treinador de seleção brasileira por uma partida que não vale absolutamente nada, nossos hermanos mal se lembram de que há um Brasil x Argentina essa noite, afinal, nem o principal diário esportivo do país se lembra (http://www.ole.com.ar/), e seja qual for o resultado do time B do Brasil contra o Z da Argentina, por lá a vida, e o trabalho, seguirão normalmente, sem atitudes equivocadas tomadas por conta de uma pressão sem sentido e imediatista.

Julgamentos à parte - até porque sou estudante de comunicação e me juntarei aos "manipuladores" - a sociedade reage exatamente como a imprensa deseja. Sinal de trabalho bem feito ou ingenuidade e credulidade social excessiva ?

22 de set de 2011

Salve o Corinthians !

 
Vivemos o tempo do profissionalismo. Cobra-se de todo e qualquer profissinal, do gari - com todo respeito a profissão tão digna quanto qualquer outra - ao diretor de uma grande empresa, uma postura irretocável e a cada dia que passa exige-se uma melhor prepração e qualificação para execer a função.

A explicação para tais exigências poderia ser o perfeccionismo de um sociedade que não para de evoluir, afinal, profissionalismo nos dias de hoje é sinal de eficiência que por sua vez remete a um constante progresso.

Contudo, quando o assunto é futebol, embora muito necessário, o conceito de profissionalismo esbarra em questões maiores e mais complexas.

A sabedoria popular já alerta que "mexer com a paixão de um torcedor é colocar a mão em vespeiro", mas o sentimento daqueles que são sim a parte mais importante do espetáculo não justifica todo e qualquer tipo de comportamento por parte dos mesmos.



A crise que se instalou no Corinthians após a rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro e a postura da pseudo-diretoria não é novidade nenhuma, ao menos não para os 30 milhões de corintianos e aos que acompanham futebol mais de perto.

O que - pelo incrível que pareça - ainda causa espanto - e espero que continue causando, pois o dia que a perturbação com esse tipo de conduta deixar de existir o futebol brasileiro entrará por um caminho sem volta - é o fato de o mesmo presidente que foi a público afirmar que o seu clube seria o mais bem estruturado física e financeiramente, e que portanto se transformaria em um exemplo de gestão profissional, do mundo, permitir que membros de uma facção - facção porque não são torcedores e sim criminosos - entrem na concentração para ameaçar de forma velada jogadores e comissão técnica em caso de nova derrota.

O mesmo presidente que banca o treinador até o fim do ano, permite que o mesmo seja coagido, em seu local de trabalho, a ponto de temer pela segurança de sua família.

Esse é o clube que se autodenomina o futuro melhor clube - ser o melhor clube abrange muito mais do que simples resultados dentro de campo - do mundo.

O Corinthians nasceu para representar o povo - mas não é de propriedade pública, precisa e deve ter comando e hierarquia - em um esporte na época, acredite, elitista. Futebol era como, em termos de comparação aos tempos atuais, ir ao jóquei clube. Acontece que fazem 100 anos. O futebol, assim como a sociedade mudou, o profissionalismo faz-se necessário e não pode ao menor sinal de pressão ser deixado de lado.

Salve o Corinthians [!] do boçais que se dizem torcedores e dos fracos que se dizem diretores.

19 de set de 2011

Jogos que eu vi - Premier / Calcio / Brasileirão

Blackburn 4x3 Arsenal

Definitivamente o Arsenal pagará o preço pela falta de planejamento em termos de elenco para a temporada 2011/12. Se desfez dos seus principais jogadores (Cesc Fàbregas e Samir Nasri) e além de não contratar a substitutos a altura, só foi as compras no último dia da janela de tranferências após ser humilhado pelo Manchester United na Premier League.

Marfinense Gervinho marcou o primeiro gol da partida
No último sábado os Gunners foram ao Ewood Park visitar o Blackburn e com um gol logo aos 8 minutos davam mostras de que colocariam fim a má fase. Com o toque de bola que lhe é característico, o time londrino, que chegou a ser chamado de "Barcelona da Inglaterra" na temporada passada, dominou as ações no primeiro tempo, mesmo jogando fora de casa, porém, foi para o intervalo com a vantagem mínima, mais uma vez por erros individuais de um sistema defensivo muito aquém do que se espera de um clube como o Arsenal.

Na segunda etapa o Blackburn parece ter se lembrado que jogava em seus domínios, passou a agredir mais os visitantes, que diante de uma marcação adiantada, passaram a encontrar muita dificuldade na saída de bola. A situação piorou para os Gunners quando o lateral direito Sagna, principal arma ofensiva do Arsenal jogando pela direita ao lado do marfinense Gervinho, saiu de campo machucado logo aos 4 minutos.

Arsene Wenger mandou à campo o zagueiro Djourou improvisado pelo lado direito, que não marcou tampouco apoiou o ataque. Estava dado o "caminho das pedras" para que os donos da casa tomassem conta do jogo.

O suíço Olsson, jogando nas costas de Djourou, infernizou a defesa dos Gunners que de tão perdida jogou duas vezes contra o próprio patrimônio (Song e Koscielny).


No fim da partida o marroquino Chamakh ainda descontou para o Arsenal, mas já era tarde. Nova derrota e novamente levando muitos gols.

Conceitos, ainda que outrora tenham sido eficazes e vencedores como no fantástico time de 2004/05, que embora jovem contava com jogadores experientes, campeão invicto da Premier League, podem e devem ser revistos. A política do Arsenal de apostar em jovens talentos há tempos deixou de funcionar da maneira esperada.

Arsene Wenger treinador do Arsenal desde 1996

O futebol é um esporte muito dinâmico, e a menos que Arsene Wenger assuma a mesma postura, veremos uma era de quase vinte anos chegar ao fim no Emirates Stadium.

Inter de Milão 0x0 Roma

Duas das mais tradicionais camisas do futebol europeu, jogadores do nível de Sneijder, Forlán, Lúcio, Totti, De Rossi... em campo. Garantia de grande jogo, certo ? Há controvérsias !

Passei o dia tentando me lembrar de uma partida tão ruim técnicamente que tivesse visto nos últimos tempos... #continuopensando

 
O time de Milão, que, inexplicavelmente, "nunca mais foi o mesmo" depois da saída de Mourinho. - aspas porque o elenco é praticamente o mesmo que o português levou à tríplice coroa em 2009/10. Parecia um bando de estranhos jogando uma pelada. Um abismo entre meio campo e ataque, jogadores fora de posição correndo atrás da bola sem marcação ou produção ofensiva.

Do outro lado, o treinador Luis Henrique, que veio das categorias de base do Barcelona no intuito de implantar a mesma filosofia de futebol do clube catalão no clube da capital italiana, mostrou que seu trabalho demanda tempo, muito tempo.

A "boa notícia" é que entre os clubes que brigam pelo título do campeonato brasileiro, qualquer um teria condições de faturar a Calcio 2011/12.

Avaí 1x1 Palmeiras

 
A criatividade passou longe da Ressacada. Em uma partida da qual já não se esperava muito, as expulsões prejudicaram ainda mais o espetáculo, se é que ele era possível.

Um gol logo no início jogando em casa, tudo que um time que briga para fugir do rebaixamento precisa quando recebe um time extremamente competitivo e difícil de ser batido como o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari. Se o cenário já era favorável com a vantagem no marcador, acrescenta-se à isso vantagem numérica de jogadores em campo, que chegou a ser de dois, e a vitória é certa e irrevogável. Seria, se o esporte em questão não fosse futebol.


O Palmeiras é o retrato de seu treinador. Não me lembro na história recente do futebol brasileiro um exemplo de clube e treinador com relacionamento e características tão intrínsecas. Um time consciente de suas limitações, mas que não se entrega e extremamente disciplinado táticamente, disciplina e consciência que hoje são as principais responsáveis pelo ponto conquistado em Florianópolis.

Aos torcedores do Palmeiras fica o realismo de que o clube briga por, no máximo, Libertadores, aos avaianos fica a preocupação de um time que não consegue vencer dentro de casa com dois jogadores a mais.

Corinthians 1x3 Santos


Acabou a "sorte". O Corinthians tropeçou, e seus concorrentes agradecem. E como não poderia deixar de ser, a derrota corintiana diante do Santos já assumiu proporções titânicas, e a torcida que comanda o clube, com aval da diretoria, já faz suas ameças veladas em forma de exigências.

A partida foi igual, pelo período de tempo que os times se portaram como iguais, a partir do momento em que o Santos passou a impor o que falta ao Corinthians, o talento de um craque, a história fez-se da maneira que se esperava.


Proferir elogios à Neymar é chover no molhado, todos já conhecem seu talento e sua capacidade dentro de campo, o que todos não sabiam é se o Santos de Neymar ainda seria capaz de buscar o título brasileiro. Depois de derrubar o líder por 3x1 fora de casa com um jogador a menos, você duvida ? Lembre-se que o Santos tem duas partidas a menos.

Para o time da Vila o jogo acabou com o apito do juiz, para o Corinthians esse jogo continua, mas o adversário agora é outro, os pseudo-torcedores donos da verdade que mandam e desmandam em uma instituição onde o poder é definitivamente descentralizado.

16 de set de 2011

Geração perdida

Está claro e manifesto: O medo de perder, o emprego, tirou a vontade de vencer, da forma como deveria, com um foco específico, a evolução de um trabalho a longo prazo, visando o que realmente interessa, 2014.

Não vou entrar nos méritos e deméritos da partida de ontem por dois motivos: Primeiro porque só pude acompanhar uma parte do jogo, para minha sorte a parte que valeu a pena graças a Leandro Damião (melhor centroavante brasileiro em atividade), segundo porque ao meu ver as questões que envolvem a seleção brasileira vão muito além do resultado de ontem e da péssima, de novo, escalação e "atuação" de Mano Menezes.



Ontem ficou claro não apenas na partida, mas principalmente na entrevista coletiva do treinador que sempre mostrou tranquilidade e convicção na conduta de seu trabalho, que perdemos o rumo. A pressão pela falta de resultados começa a, equivocadamente, ser maior e mais importante do que a renovação e formação de uma seleção que possa ser campeã mundial em 2014.

Antes de fazer o papel de advogado do diabo, deixo claro que há tempos não concordo com as práticas de Mano Menezes, que em nada se parecem com a teoria. Porém, embora não tenhamos visto nenhuma evolução no processo de formação de um time em pouco mais de um ano, há de se considerar que o treinador da seleção brasileira tem em mãos talvez o processo de renovação mais difícil da história da seleção canarinho. Explico.

Há alguns posts atrás citei o "buraco de gerações" como o motivo central das dificuldades que estamos enfrentando, e é exatamente ele, somado a enorme pressão de disputar uma Copa do Mundo pela seleção brasileira em casa, que ainda me fazem dar créditos à Mano Menezes.


O "buraco" trata-se da geração perdida que tivemos entre 2002 e 2010, leia-se a seleção que disputou o pré-olímpico de 2003 que ficou apenas na promessa. Robinho, Diego, Dagoberto. Daniel Carvalho, Edu Dracena, Fábio Rochemback, Nenê... Quantos deles viraram realidade na seleção brasileira ?

Pois bem, o "buraco" obrigou uma geração que já havia feito sua parte em 2002 (Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu, Gilberto Silva) a assumir a responsabilidade, ainda que com bons "reforços" (Kaká, Zé Roberto, Adriano) de mais uma Copa do Mundo (2006) e obriga agora uma geração a assumir precocemente o papel de protagonistas do time que veste a camisa mais importante do futebol mundial.

Muito se fala de que o jogador precisa de "bagagem" para assumir a titularidade da seleção brasileira. Embora não concorde muito, a tese é válida se olharmos para o histórico recente. Ronaldo estava, antes de se transformar em fenômeno, aos seus 18(?) anos no banco da seleção campeã mundial em 1994. O mesmo para Kaká que antes de se transformar no melhor do mundo, esteve no banco da seleção penta-campeã mundial no Japão, e Muller, que esteve em 1990 antes de se sagrar campeão do mundo em 1994.

 
Se considerarmos tal histórico, podemos afirmar inclusive que Mano Menezes paga parte da conta dos erros cometidos por Dunga, que deixou de levar nossas, na época promessas, hoje principais esperanças Neymar e P.H Ganso para a Copa do ano passado.

Claro que essa tese do buraco de gerações, que é uma realidade, não isenta Mano de todas as responsabilidades, seu discurso há muito não condiz com o que é posto em prática, mas é bom que se leve em consideração na hora das cobranças exageradas, porque o imediatismo por parte da opinião pública só contribui para a falta de definição de prioridades por parte do comando técnico da seleção brasileira.

Estamos perdendo o rumo em meio a tempestade que se cria com os resultados de momento, e isso pode ser fatal para nossas pretensões no que diz respeito a Copa de 2014.

14 de set de 2011

Contrariando as leis da física

"Loucura é tentar repetidas vezes a mesma coisa e esperar resultados diferentes"

Albert Einstein

O Corinthians tenta, tenta, tenta... mas o resultado é sempre o mesmo: Permanece inerte na "incômoda liderança". Mas um fenômeno que vai além da "falta de interesse" alheio parece favorecer o atual líder do campeonato.

Baseemo-nos na física então...

Terceira lei de Newton, ou Princípio da Ação e Reação: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.

Agora aplique a fórmula nas partidas do campeonato brasileiro.

O Corinthians perde, os adversários diretos entram em ação, porém, a reação oposta dos obstáculos entre eles e a liderança é de maior e não de igual intensidade.

Resultado final da equação: O futebol contraria as leis da física.

Ora, qual o espanto ? Por que o esporte mais popular de um país onde a constituição é composta de centenas de leis que se anulam para favorecer uma minoria se prostraria a leis tão "insignificantes" como as da Física ?

Espanto mesmo será quando CBF, Senado Federal e Câmara dos Deputados, contrariarem a lei da probabilidade, e fizerem algo decente, só para variar.

2 de set de 2011

"Para que serve o futebol"

A frase que intitula o post não é minha - por essa razão as aspas - e sim de um gênio da literatura brasileira: Luis Fernando Verissimo, e assim como em sua crônica, serve de síntese perfeita para a mensagem que segue.

A crônica de Luis Fernando Verissimo conta a história do MH (Marciano Hipotético) que vem ao Brasil e fica estarrecido ao descobrir que por aqui, o futebol é um mau negócio.


"Mas como, perguntou, agitando as antenas. Uma população deste tamanho, todo mundo louco por ele, nenhum outro esporte de massa disputando mercado com ele, um clima que permite sua prática o ano inteiro, e ele só dá lucro para a CBF ? Não consegue sustentar nem uma indústria de revistas especializadas como na Espanha ou Argentina ? Os clubes estão falidos, e os seus melhores jogadores são exportados ?"


Diante da indignação de MH, Luis Fernando prefere mudar de assunto, comenta então sobre os problemas rurais e a falta de terras para assentar agricultores.

Sem acreditar no que acabara de escutar, MH sobe em sua nave e cortando as nuvens mais rápido do que os olhos humanos podem acompanhar, desaparece sem deixar rastros.

Tempos depois volta trazendo, se não uma solução, uma tese: "Para ele o problema básico do Brasil é o mesmo da agricultura quando uma safra excede a capacidade de escoamento. No nosso caso, uma super abundância de talento não encontra uma estrutura para absorvê-la. Num país enorme, o talento produzido (seja qual for a área, esportiva, artes cênicas, etc.) não encontra colocação e simplesmente transborda."

Em suma: "Ele (futebol) existe para representar o grande desperdício nacional, o grande paradoxo de um país que não se aproveita. A função do futebol, no Brasil, é ser metáfora."

Confesso que sempre considerei essa tese sensacional, e embora a realidade esteja mudando, com o movimento por parte dos clubes para repatriamento e a manutenção de grandes craques, ainda é cedo para derrubarmos a mesma.

Porém, é apenas uma tese sobre para o que realmente serve o futebol, tomá-a por verdade absoluta quem assim desejar, cria-se uma nova tese quem com ela não concordar.

Não vou me atrever a dizer que criei uma tese sobre a função do futebol na sociedade, mas em uma semana em que levamos mais um "soco no estômago" de quem deveríamos receber todo tipo de deferência e estima, o governo, diria que o futebol nos serve como válvula de escape. Uma paixão infantil, a quem nos dedicamos com afinco e que por 90 minutos é capaz de nos fazer esquecer todos os desprazeres da vida.

90 minutos onde tudo que importa é a bola que entrou, ou não, a defesa salvadora, ou não, no último minuto, a demonstração de raça e amor por parte de milhares de pessoas que nem se conhecem, mas tem em comum uma parte muito importante de suas vidas.


Essa é a realidade em que vivemos: Enquanto alguns distorcem e elitizam suas funções, em detrimento da maioria, outros, no caso específico futebol, as multiplicam, por vezes nos mostrando a realidade, como na tese do MH, e outras tantas vezes, para o nosso bem, nos fazendo esquecê-la.