"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

17 de jun de 2011

Gramas que pesam toneladas

Entre os muitos chavões existentes no futebol, o de que tem que se "respeitar essa ou aquela camisa" é um dos mais famosos. Claro, existe o outro lado, o tal de "camisa não ganha jogo". Trata-se de mais duas "verdades absolutas" do futebol, empregadas de acordo com o contexto, a história, de cada partida.

Até o próximo vexame de algum "grande" diante de um "pequeno", seja em terras tupiniquins ou extrangeiras, a verdade da vez, imposta pelo tradicionalíssimo Peñarol, é de que há de se respeitar a camisa de um grande clube.

A campanha dos uruguaios nessa Libertadores da América é a mais perfeita tradução da expressão "vitória na base da camisa". O gigante, penta campeão continental, chegou a mais uma final com um futebol limitado, mas com toneladas de tradição e história. Deixou pelo caminho o clube que apresentava o melhor futebol do continente, o Velez Sarsfield, para reeditar uma final histórica. O futebol agradece.


O clube que outrora travou duelos épicos com o Real Madrid de Di Stéfano e o Santos de Pelé renasce, assim como todo o futebol uruguaio, para assumir a posição de destaque que lhe é devida.

A final mais romântica dos últimos anos da Libertadores da América teve seu "primeiro tempo" com o placar mais sem graça, mas em um ótimo jogo de futebol.

É bem verdade que o Santos teve, de certa forma, a partida sob controle o tempo todo. Apesar de um pouco instável, determinou o ritmo do jogo, mas assim como poderia ter voltado com uma boa vitória, poderia ter se complicado bastante.


Porém o que mais me surpreendeu, de maneira positiva, foi o controle emocional e o equilíbrio da equipe de Muricy Ramalho - que torço para que vença essa Libertadores e cale os cornetas de plantão que o estigmatizam como "treinador de pontos corridos" - exatamente o que tem faltado aos clubes brasileiros na hora de erguer a taça nos últimos anos.

Diante de um gigante, em um estádio lendário, completamente abarrotado, o jovem time santista mostrou personalidade, ao lidar com a imensa pressão - sem mencionar todos os problemas de logística para chegar a Montevidéu -  inteligência, ao "jogar com o regulamento" e ter em mente que ainda há 90 minutos para serem jogados em casa, e ousadia, ao não sair de sua filosofia de jogo e se limitar apenas em defender; quando teve a posse de bola o Santos agrediu o adversário e soube impor sua superioridade técnica.

O Santos está a 90 minutos de fazer história, mas é bom manter em mente que entre a taça e a Vila Belmiro, há uma senhora camisa de 120 anos de história.

[Já ia clicar em "publicar postagem" mas não posso deixar de comentar e acima de tudo lamentar a postura da CONMEBOL com relação ao problema, de ordem natural, que quase impediu que a equipe do Santos conseguisse chegar ao Uruguai para o jogo. "Se não chegarem é W.O" - Como diria Milton Leite: Meeeeeeuuu Deeeuss -  Salvem o futebol sulamericano]

2 comentários:

Cleber Soares disse...

Estou passando apenas para esclarecer que por motivos profissionais não venho tendo tempo para fazer as visitas corriqueiras nos blogs dos amigos, pelo descilpas, mas semana que vem volta ai normal. Um abraço.

BLOG DO CLEBER SOARES
www.clebersoares.blogspot.com

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Quem tem uma confederação como a CONMEBOL não precisa de mais nada. Torço tb pelo Santos, mas a saída de Ganso empobreceu seu futebol. Tomara que volte na final. E embora eu não acredite que "camisa ganha jogo", ela pesa e dá respaldo a um time. Assim será o Penarol na quarta: nem tanto pelo futebol, mas pela história e tradição, será um adversário dificilimo de ser batido.

P.S.: Estive no Maracanã, no sábado, acompanhando as obras. Aproveitei e matei a saudade. Veja lá no FuteB.R.O.N.C.A.!

Saudações!!!