"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

4 de jul de 2011

Genéricos - efeito a longo prazo

Um time vencedor não se faz do dia para noite - você certamente já ouviu essa afirmação em um dos dois extremos da vida do seu time de coração, em um momento de glória como parte do louvor ao trabalho realizado ou como um pedido de paciência na explicação para uma crise.

Fato é que não importa o contexto, a afirmação procede - ainda que se tente aplicar uma fórmula reconhecidamente bem sucedida - como nos mostraram brasileiros e argentinos em suas estreias frustrantes na Copa América.

Sérgio Batista armou, de forma explícita, sua seleção para que seu camisa 10 brilhasse. Os hermanos vieram à campo em um 4-3-3 de base alta com Messi como um falso camisa 9. Exatamente a forma como Pep Guardiola arma o Barcelona. A sutil diferença - ou uma das - é a base da pirâmide, Benega e Cambiasso terão que nascer de novo - algumas vezes - para jogarem o que jogam Xavi e Iniesta.

Triângulo de base alta com dois meias de criação e um volante

Pedir para que Messi jogue ao lado de Banega, Cambiasso, Lavezzi, etc, o mesmo que ele joga ao lado de Xavi, Iniesta, Villa, Pedro...  é burrice e ignorância. Assim como exigir dele resultados expressivos com a seleção para que figure entre os grandes da história é contrariar nossa própria história. Zico seguramente está entre os maiores da história. Ou não ? E o Galinho conquistou o quê pela seleção ?

[Banega, Cambiasso, Mascherano, Lavezzi...  e tem gente que acha que Conca e D'Alessandro não tem espaço nessa seleção.]

Não exatamente na mesma linha de trabalho, mas na mesma filosofia de futebol ofensivo - o tal protagonismo - está a seleção de Mano Menezes - que até agora teve muitas frases de efeito e pouca evolução no trabalho.

Triângulo de base baixa com dois volantes e um meia de criação

Mano escalou a seleção no mesmo 4-3-3 dos hermanos, com a diferença que a base do triângulo de meio de campo brasileiro é baixa(dois volantes e um meia armador). Assim como com os hermanos, a tentativa de valorizar a posse de bola e impor um ritmo intenso no passe fracassou, e em uma tarde em que Ganso virou marreco e que as individualidades brasileiras pararam na dobra de marcação venezuelana, que surpreendentemente durou os 90 minutos, o telão do estádio serviu apenas para fazer a alegria da galera durante a transmissão.

Como bem disse Mano Menezes: "Não existe mais galinha morta no futebol". Então, se Brasil e Argentina não resolverem cantar de galo logo, só veremos Neymar x Messi em dezembro.

4 comentários:

Rafaela Andrade disse...

Nossa, você disse tudo: Um time vencedor não se faz do dia para noite.
Da mesma forma que ninguém passa num concurso por sorte e tantos outros exemplos... A dificuldade da seleção é exatamente o fato de que não jogam juntos, não treinam juntos e etc.

Neste quesito, o vôlei dá de 10 a 0. A Super Liga acabou quando começou a Liga Mundial e o GranPrix. A nova só começa quando as competições tiverem terminado.

Um abraço
Rafaela

Apenas um Ponto
http://apenasumpontoesportivo.blogspot.com/
Coisas que esquecemos
Márcio e Ricardo vencem na Noruega

Gol de Mão disse...

O problema é exigir que o Messi do Barcelona seja o mesmo na Argentina. E como você falou, banega e cambiasso não amarram nem a chuteira de Xavi e Iniesta.

Abraço!

Equipe Blog Gol de Mão
www.bloggoldemao.blogspot.com

Cleber Soares disse...

Luciano,
um time realmente não se faz do dia pra noite, esses dias mesmo escrevi isso lá no blog.
Mas uma verdade irrefutável é a falta de qualidade meu amigo. Comparada com outros tempos chega a ser ridículo, tanto Brasil, tanto Agertina vivem muito mais dos velhos nomes que os atuais, Messi é a exceção, e talvez Neymar e Ganso. Só pra termos uma ideia talves o nosso melhor nome ainda é Julio Cesar, um goleiro... novos tempos meu amigo, é o que temos.

BLOG DO CLEBER SOARES
www.clebersoares.blogspot.com

Giovani Mattiollo disse...

Luciano, como você disse nas suas primeiras palavras, um time vencedor precisa de tempo para... se tornar vencedor. Como é o caso do Barcelona por exemplo.

Realmente alguns jogadores da Argentina estão figurando apenas como você citou ai Banega e etc... E conca sem dúvida merecia um lugar.

Já o Brasil, está querendo fazer muita firula, muita coisa bonita, enfeitada, ao invés de fazer o simples e vencer os jogos. Se tentassem fazer o simples, teriam vencido a Venezuela, não é seu Neymar?

Abração

http://www.gremista-sangueazul.com