"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

26 de ago de 2011

Tudo junto misturado

Esqueçam cronologia ou qualquer ligação entre os fatos. Esqueçam regras de redação e desconsiderem a profanação ao jornalismo que será feita por um estudante de comunicação. Vou simplesmente falar(?) - escrever aos detalhistas - ou como diria meu professor de História da Comunicação: "Me expressar de forma codificada", a respeito da semana futebolística. Ou ainda, deixando a linguagem acadêmica de lado, no popular: "Vô fala umas parada !"

O que antes eram desfalques, sérios, se transformou em ponto positivo ao fim de uma campanha vitoriosa. Com Lucas e Neymar como estrelas principais, a seleção Sub-20 sobrou no Sul-americano, sem eles, em um campeonato mundial, havia quem duvidasse da capacidade do time de Ney Franco. Aos que não acreditavam, a resposta...


As ausências que se mostravam no mínimo muito preocupantes, se revelaram uma verdadeira oportunidade para que talentos até então ofuscados por jogadores acima da média mostrassem seu valor.

Um time que, se não brilhou de maneira técnica e até teatral como tanto apreciamos, se mostrou altamente competitivo, consistente e com muitas alternativas táticas, e que nos enche de esperança para que nos próximos anos possamos enfim impor nosso protagonismo e recuperar o que por tanto tempo ostentamos: o melhor futebol do mundo.


 
"Acho que eles devem sair o mais rápido possível para adquirirem experiência para a Copa de 2014" - Rivaldo quando questionado sobre a saída ou não de Neymar e Ganso para o futebol europeu. (Não se esqueçam do meu aviso sobre cronologia, ligação entre os fatos, regras...)

Não sou contra, embora torça muito para que não aconteça, que nossos jogadores embarquem para o futebol europeu. O argumento de que lá estarão em contato direto e frequente com os principais jogadores do mundo e consequentemente com os prováveis adversários em uma eventual Copa do Mundo é válido.

Porém há caminhos e caminhos. Jogadores que saem muito novos, saem ainda em processo de formação e maturação de sua personalidade pessoal e profissional, processo que muitas vezes acaba interrompido pela tomada de caminhos que progridem apenas a conta bancária e fazem com que talentos se percam mundo afora.


André - exemplo de talento brasileiro que se perdeu no futebol do leste europeu, foi emprestado ao futebol francês e retornou ao Brasil tempos depois com o bolso cheio e a carreira em atraso. Enquanto isso, seus ex-companheiros de Santos conquistavam a Libertadores da América.

Portanto, se nossos talentos e promessas devem sair, que seja para os grandes centros do futebol mundial, Espanha, Itália, Inglaterra, etc. que possuem todas as condições e darão sequência a formação do atleta, tornando-o muitas vezes até mais completo, caso contrário, trocar Campeonato Brasileiro e Libertadores da América por campeonato russo, ucrâniano, árabe ou sei lá mais o que, me parece apenas um ato de suícidio profissional e altruísmo para com as contas bancária de clubes e empresários.


 
Média de 0,83 gols por jogo. Pé direito, pé esquerdo, de cabeça, de biquinho, de bicicleta, de fora da área, lençol, caneta, carretilha...
O repertório é vasto, porém a conclusão é única: Leandro Damião joga demais.  #prontofalei

É bom Pato abrir os olhos, caso contrário deixará de herança à Damião, além do ataque colorado, o ataque canarinho.

E enquanto Damião dava mais um show no Beira-Rio, na Arena da Baixada teve zagueiro jogando de centroavante e gol de cabeça de Ronaldinho Gaúcho.  #bizarro

Mas a pergunta que não quer calar é: Por que Arouca não está, ou ao menos nunca foi, para a seleção ? Elias joga mais ? Me abstenho de discorrer. Fica a opinião de uma comentarista muito mais conceituado e gabaritado, especialista em futebol carioca que observou de perto mais uma bela partida do volante santista diante do Fluminense: http://oglobo.globo.com/esportes/rmp/posts/2011/08/24/por-que-arouca-nao-esta-na-selecao-400967.asp


Paro por aqui a salada de assuntos, que nada mais é do que uma analogia ao problema crônico da sociedade moderna: Pressa, correria, stress e absoluta falta de tempo.

20 de ago de 2011

Cadê a teoria ?

A filosofia de trabalho é simples: Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

Mais perdido que cego em tiroteio - perdoem o humor negro e os ditados em sequência, mas se houvesse um "dicionário de ditados", ao lado desses certamente estaria a foto de Mano Menezes.

A teoria é linda, perfeita, maravilhosa. Nos microfones, o treinador da seleção brasileira fala o que todos querem ouvir, o problema é que o que se fala na sala de imprensa, não aparece nos gramados.

Durante uma entrevista coletiva ainda na primeira fase da Copa América, na véspera da partida contra o Paraguai, ao ser questionado sobre como seria a postura da seleção diante de um adversário teoricamente mais forte, Mano deu a seguinte declaração: "Não podemos, seja qual for o adversário, nos limitar a preocupação de anular suas armas, precisamos criar dificuldades para que eles também se preocupem conosco" - em outras palavras: imposição e protagonismo, o tal protagonismo que era a base da filosofia de Mano Menezes um ano atrás, ao assumir o comando técnico da seleção brasileira, mas que jamais foi visto.


10 de agosto de 2011, Brasil x Alemanha, Mano Menezes tira Paulo Henrique Ganso, futuro e único candidato a camisa 10 da seleção de uma partida muito importante do ponto de vista de experiência e bagagem ao atleta, do time para jogar com três volantes, se precupando única e exclusivamente em anular o meio de campo alemão para viver de esporádicos contra ataques.

Esse é apenas o exemplo mais recente de como o técnico da seleção brasileira não coloca em prática a sua teoria, e esse é apenas um dos problemas.

Outro ponto determinante para as críticas e falta de evolução do trabalho é a absoluta falta de critérios para as convocações. Exs.: 1. Leque muito grande de jogadores convocados, muitos deles são convocados esporadicamente, sem tempo de se ambientar e de se entrosar; 2. Conveniência pura e simples. Mano esperniou, chiou, criticou publicamente a falta de comprometimento de Marcelo, mas quando a coisa apertou... 3. A busca exagerada por jogadores "desconhecidos" do leste europeu. Não estou dizendo que não são bons jogadores, mas pra seleção brasileira ? 4. Insistência sem sentido em jogadores que saíram do Brasil e simplesmente sumiram. André Santos amargou a reserva na Turquia por mais de seis meses, Elias, ex-corinthians, já está virando moeda de troca no Atlético de Madrid, qual o merecimento de ambos para estar na seleção ? 5. Lúcio, Julio César e Ronaldinho Gaúcho, queremos um time para 2014 ou resultados imediatos ?



Sempre fui um admirador e um defensor de Mano Menezes, uma renovação de seleção brasileira demanda tempo, muito mais quando temos um "buraco de gerações", que ao meu ver é o grande problema da seleção atual, mas isso eu discorro eu outro post. Fato é que tempo é um "luxo" do qual não dispomos.

Copa de 2014: faltam 3 anos, 12 estádios e 1 time.


18 de ago de 2011

Aviso aos leitores

Os que acompanham o blog há algum tempo já sabem, porém, aos que por ventura não saibam, o blogueiro que vos escrever acaba de retornar ao Brasil depois de muitos anos fora, e a adaptação não tem sido muito fácil.

Contudo, Deus vem abençoando e em pouco tempo já consegui realizar o sonho de ingressar na faculdade, e é exatamente por conta disso que venho atualizando pouco o blog, as aulas são geralmente nos horários dos jogos e como não escrevo sobre o que eu não vejo, baseado apenas em notícias, não tenho conseguido atualizar o blog com tanta frequência.

Pelo mesmo motivo, não tenho visitado os blogs dos parceiros com a mesma frequência.

Como diria meu pai: "assim que a vida entrar nos eixos", posts e visitas voltarão ao normal.

Agradeço a compreensão de todos, e não deixem de acessar o De Olho no Lance.


14 de ago de 2011

Matemática inexata



Diferentemente da imagem acima, a equação a que me referirei é simples: atacantes em campo = jogo aberto, gols e emoção, volantes em campo = jogo trancado, placar inalterado e chatice.

Claro que quando se trata de futebol nem sempre será assim, exatidão não se aplica ao esporte, mas estatisticamente a probabilidade da equacão corresponder é grande.

Há tempos não postava sobre um jogo específico do Campeonato Brasileiro, já tem gente me perguntando se eu realmente acompanho, por isso resolvi escrever sobre a derrota santista por 2x0 no Serra Dourada, jogo no qual a equação acima fez-se valer.

O primeiro tempo foi sofrível. Dois times escalados com três volantes, resultado: duelo de nada x coisa nenhuma. Atlético-GO não existiu ofensivamente, tampouco o Santos de Neymar e Ganso, que bem marcados pouco produziram. Ganso aliás, vive da fama do primeiro semestre do ano passado, convenhamos, já passou da hora de voltar a jogar bola.

Pensa em alguma coisa muito chata, agora imagine-a com 45 minutos de duração, pronto, já sabe como foi o primeiro tempo.



Os times voltaram do intervalo com a mesma formação, e a esperança de minutos melhores começava a desaparecer, até que a inteligência tardia de Muricy Ramalho mudou o panorama da partida.

O livro de estratégias dos treinadores - se é que existe algum - nos ensina em uma página, já bem amarelada e desgastada pelo tempo: diante de times recuados com uma defesa muito bem armada, a estratégia é aliar velocidade com jogadas pelas laterais, para abrir a defesa adversária e criar os espaços.

Exatamente o que fez Muricy - que devia estar com uma cópia de bolso do tal livro - sacando o volante Henrique e lançando o atacante Diogo aberto pela direita. O Santos cresceu, passou a comandar as ações, mas encontrou do outro lado um treinador competente no quesito "leitura de jogo".

Minutos após a substituição santista, Jairo Araújo sacou o meio Thiaguinho e mandou a campo o atacante Diogo Campos, que entrou para jogar no espaço deixado por Henrique, e ao lado de Anselmo, fez para o Dragão o que Neymar e Ganso não fizeram para o time da Vila Belmiro, jogaram bola.

Os santistas reclamam um pênalti ainda no primeiro tempo, que realmente ocorreu, mas o fato é que a última vez que o Santos entrou em campo e jogou bola foi no já longínquo dia 15/06/11, na final da Libertadores da América, e para quem pretende vencer um tal de Barcelona em dezembro, é bom abrir os olhos.


10 de ago de 2011

Aniversário de uma revolução

[Antes de entrar no assunto do post, peço perdão aos leitores pelo tempo de inatividade, por motivos de saúde e estudo não pude atualizar nas últimas semanas]

Confesso que não ia escrever, tanto que a data já passou,  mas cinco minutos de reflexão me fizeram perceber que olhando para trás em alguns anos me arrependeria muito por deixar tal data passar em branco.

Ontem, dia 09/08, foi aniversário de um mito do futebol brasileiro. Um ícone do futebol mundial. Um revolucionário. O criador do esquema tático mais usado no mundo: o 4-4-2.


Mário Jorge Lobo Zagallo, o homem mais vitorioso da história da seleção brasileira, conhecido por suas superstições e sua íntima relação com o número 13, que nos obrigou a engolí-lo por tantas e tantas vezes chegou aos 80 anos de idade demonstrando a mesma saúde dos tempos de jogador.

O primeiro jogador operário da história do futebol. O ponta esquerda que voltava para compor o meio campo, que idealizou o "contra ataque". Titular em todas as partidas das Copas de 58 e 62, por aí vê-se sua importância tática ao time, considerando que na época havia muitos pontas de mais habilidade ofensiva do que o velho lobo.


Contudo, o homem do número 13 tem sua carreira, tanto de jogador como de treinador ou coordenador, marcada também pelo número 4. Foram 4 camisas nos seus tempos dentro das quatro linhas (América, Flamengo, o mágico Botafogo de Garrincha e Didi e a seleção brasileira). São 4 títulos mundiais com a "amarelinha" e 4 Copas do Mundo perdidas.

É impossível olhar para o futebol atual e sequer tentar imaginar como o esporte seria sem a contribuição do velho lobo. A história de Zagallo e do futebol mundial se entrelaçam, estão intimamente ligadas, ambos são essenciais um ao outro. História marcada por conquistas, fracassos e claro, muitas frases de efeito...






Um profundo conhecedor do esporte bretão - conhecimento que aliás ainda hoje seria muito útil à perdida seleção brasileira - que claro nunca foi e nunca será unânimidade, mas como diria Nelson Rodrigues: "Toda unânimidade é burra".

Mário Jorge Lobo Zagallo é a representação do amor pela seleção brasileira. Seu sentimento pela amarelinha é genuíno, constante e imutável; seja qual for a seleção em questão: as mágicas de 70 e 82 ou a insossa de 90.

Fracassos e derrotas fazem parte da vida de todos nós, são nesses momentos que mais crescemos como ser humano, porém nosso grau de sentimento e comprometimento com as coisas de nossas vidas pessoais e profissionais podem sem dúvida minimizar tais acontecimentos. Tivéssemos todos nós - nós porque por muitos anos a torcida brasileira deu de ombros para a seleção - uma relação ao menos parecida com com a que o velho lobo tem com a camisa canarinho e sobre o brasão da CBF haveria hoje 10 e não 5 estrelas.