"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

14 de ago de 2011

Matemática inexata



Diferentemente da imagem acima, a equação a que me referirei é simples: atacantes em campo = jogo aberto, gols e emoção, volantes em campo = jogo trancado, placar inalterado e chatice.

Claro que quando se trata de futebol nem sempre será assim, exatidão não se aplica ao esporte, mas estatisticamente a probabilidade da equacão corresponder é grande.

Há tempos não postava sobre um jogo específico do Campeonato Brasileiro, já tem gente me perguntando se eu realmente acompanho, por isso resolvi escrever sobre a derrota santista por 2x0 no Serra Dourada, jogo no qual a equação acima fez-se valer.

O primeiro tempo foi sofrível. Dois times escalados com três volantes, resultado: duelo de nada x coisa nenhuma. Atlético-GO não existiu ofensivamente, tampouco o Santos de Neymar e Ganso, que bem marcados pouco produziram. Ganso aliás, vive da fama do primeiro semestre do ano passado, convenhamos, já passou da hora de voltar a jogar bola.

Pensa em alguma coisa muito chata, agora imagine-a com 45 minutos de duração, pronto, já sabe como foi o primeiro tempo.



Os times voltaram do intervalo com a mesma formação, e a esperança de minutos melhores começava a desaparecer, até que a inteligência tardia de Muricy Ramalho mudou o panorama da partida.

O livro de estratégias dos treinadores - se é que existe algum - nos ensina em uma página, já bem amarelada e desgastada pelo tempo: diante de times recuados com uma defesa muito bem armada, a estratégia é aliar velocidade com jogadas pelas laterais, para abrir a defesa adversária e criar os espaços.

Exatamente o que fez Muricy - que devia estar com uma cópia de bolso do tal livro - sacando o volante Henrique e lançando o atacante Diogo aberto pela direita. O Santos cresceu, passou a comandar as ações, mas encontrou do outro lado um treinador competente no quesito "leitura de jogo".

Minutos após a substituição santista, Jairo Araújo sacou o meio Thiaguinho e mandou a campo o atacante Diogo Campos, que entrou para jogar no espaço deixado por Henrique, e ao lado de Anselmo, fez para o Dragão o que Neymar e Ganso não fizeram para o time da Vila Belmiro, jogaram bola.

Os santistas reclamam um pênalti ainda no primeiro tempo, que realmente ocorreu, mas o fato é que a última vez que o Santos entrou em campo e jogou bola foi no já longínquo dia 15/06/11, na final da Libertadores da América, e para quem pretende vencer um tal de Barcelona em dezembro, é bom abrir os olhos.


Um comentário:

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

A pergunta é: porque diabos os 2 treinadores não escalaram como terminaram os times nesta partida? Não vi o jogo, mas pelo que vc escreveu, foi sonolento. Melhor para o Dragão.

Saudações!!!