"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

16 de set de 2011

Geração perdida

Está claro e manifesto: O medo de perder, o emprego, tirou a vontade de vencer, da forma como deveria, com um foco específico, a evolução de um trabalho a longo prazo, visando o que realmente interessa, 2014.

Não vou entrar nos méritos e deméritos da partida de ontem por dois motivos: Primeiro porque só pude acompanhar uma parte do jogo, para minha sorte a parte que valeu a pena graças a Leandro Damião (melhor centroavante brasileiro em atividade), segundo porque ao meu ver as questões que envolvem a seleção brasileira vão muito além do resultado de ontem e da péssima, de novo, escalação e "atuação" de Mano Menezes.



Ontem ficou claro não apenas na partida, mas principalmente na entrevista coletiva do treinador que sempre mostrou tranquilidade e convicção na conduta de seu trabalho, que perdemos o rumo. A pressão pela falta de resultados começa a, equivocadamente, ser maior e mais importante do que a renovação e formação de uma seleção que possa ser campeã mundial em 2014.

Antes de fazer o papel de advogado do diabo, deixo claro que há tempos não concordo com as práticas de Mano Menezes, que em nada se parecem com a teoria. Porém, embora não tenhamos visto nenhuma evolução no processo de formação de um time em pouco mais de um ano, há de se considerar que o treinador da seleção brasileira tem em mãos talvez o processo de renovação mais difícil da história da seleção canarinho. Explico.

Há alguns posts atrás citei o "buraco de gerações" como o motivo central das dificuldades que estamos enfrentando, e é exatamente ele, somado a enorme pressão de disputar uma Copa do Mundo pela seleção brasileira em casa, que ainda me fazem dar créditos à Mano Menezes.


O "buraco" trata-se da geração perdida que tivemos entre 2002 e 2010, leia-se a seleção que disputou o pré-olímpico de 2003 que ficou apenas na promessa. Robinho, Diego, Dagoberto. Daniel Carvalho, Edu Dracena, Fábio Rochemback, Nenê... Quantos deles viraram realidade na seleção brasileira ?

Pois bem, o "buraco" obrigou uma geração que já havia feito sua parte em 2002 (Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu, Gilberto Silva) a assumir a responsabilidade, ainda que com bons "reforços" (Kaká, Zé Roberto, Adriano) de mais uma Copa do Mundo (2006) e obriga agora uma geração a assumir precocemente o papel de protagonistas do time que veste a camisa mais importante do futebol mundial.

Muito se fala de que o jogador precisa de "bagagem" para assumir a titularidade da seleção brasileira. Embora não concorde muito, a tese é válida se olharmos para o histórico recente. Ronaldo estava, antes de se transformar em fenômeno, aos seus 18(?) anos no banco da seleção campeã mundial em 1994. O mesmo para Kaká que antes de se transformar no melhor do mundo, esteve no banco da seleção penta-campeã mundial no Japão, e Muller, que esteve em 1990 antes de se sagrar campeão do mundo em 1994.

 
Se considerarmos tal histórico, podemos afirmar inclusive que Mano Menezes paga parte da conta dos erros cometidos por Dunga, que deixou de levar nossas, na época promessas, hoje principais esperanças Neymar e P.H Ganso para a Copa do ano passado.

Claro que essa tese do buraco de gerações, que é uma realidade, não isenta Mano de todas as responsabilidades, seu discurso há muito não condiz com o que é posto em prática, mas é bom que se leve em consideração na hora das cobranças exageradas, porque o imediatismo por parte da opinião pública só contribui para a falta de definição de prioridades por parte do comando técnico da seleção brasileira.

Estamos perdendo o rumo em meio a tempestade que se cria com os resultados de momento, e isso pode ser fatal para nossas pretensões no que diz respeito a Copa de 2014.

Um comentário:

Cleber Soares disse...

Luiciano,
Mano sabai da pressão, qualquer um sabea disso....
mas a falta de resultados em um país com essa nossa cultura burra de sempre achar que temos que vencer tudo e todos parece atrapalhar o trabalho dele. Não justifica, apenas explica.

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