"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

4 de out de 2011

A volta do romantismo

Sob a sombra de tranquilidade propiciada pela seleção "B", a seleção brasileira, "A", começa a se apresentar para o amistoso de sexta-feira contra a Costa Rica.

A imprensa repercutiu a vitória diante da Argentina de todos os pontos de vista possíveis; táticos, técnicos, psicológicos em termos de resultado para treinador e jogadores, sob o aspecto de descoberta de jovens capazes de assumir a responsabilidade de vestir a camisa mais vencedora do futebol mundial, entre outros; deixando de fora o fator mais importante da partida em Belém: o resgate da identidade e unicidade entre seleção brasileira e torcida.


Pergunte a um torcedor na faixa dos 50 e 60 anos o que representava a seleção brasileira em sua juventude, depois pergunte a um jovem torcedor de hoje o que ele prefere, seu clube de coração ou a seleção brasileira...

Vivemos em uma sociedade de valores absolutamente invertidos em todos os segmentos, esportivo, político, social e econômico; aonde o ético é inerente a conveniência dos fatos.

Há tempos a seleção é vista e "vendida" sob a feição negativa da incompetência de gestões técnicas anteriores, que deturparam a essência do futebol brasileiro com posturas defensivistas, e da corrupção da CBF, que sob os mandos e desmandos de Ricardo Teixeira faz o que bem entende com tudo que diz respeito a futebol no país.

 
O romantismo, desconhecido por uma geração que cresceu ouvindo que o que realmente importa são os clubes, que outrora movia uma nação inteira por amor a um selecionado começou a ser resgatado em Belém, deixando claro e evidente de que no futebol toda e qualquer ação acarretará consequências, boas ou ruins, a curto e longo prazo, individual ou de maneira mais ampla. Explico.

O emocionante hino nacional, emblemático nesse resgate da relação torcida x seleção, que vimos em Belém, começou a ser tocado meses atrás, na Vila Belmiro, quando o presidente Alvaro Ribeiro elaborou um plano bem sucedido para manter Neymar no Brasil e desencadeou um efeito dominó no futebol brasileiro.


Hoje o maior ídolo do futebol brasileiro atua no país, as maiores esperanças permancem em seus clubes, a torcida acompanha seus ídolos de perto e transfere essa relação de amor e admiração para a seleção ao vê-los vestindo a amarelinha. A "desconhecida" seleção formada de "europeus", sem representatividade nenhuma para os torcedores brasileiros não existe mais e os pais que se acostumaram a ver Zico, Pelé e Falcão entre as camisas de Flamengo, Santos e Internacional e da seleção brasileira, podem hoje mostrar à seus filhos Ronaldinho, Neymar, Leandro Damião, entre outros, na mesma situação.

Uma vitória contra nossos tradicionais rivais - não inimigos, porque futebol é esporte e não guerra - com uma seleção genuinamente brasileira, o passo mais importante e representativo do, tão criticado, trabalho de Mano Menezes; que apesar dos pesares, foi capaz, ainda que beneficiado por um série de fatores, de realizar o que nenhum outro conseguiu em muitos anos - e estamos falando de nomes como Zagallo, Parreira e Felipão - reconciliar a Seleção Brasileira de Futebol com seu maior patrimônio: sua torcida. [Que seja eterno enquanto dure...]

Um comentário:

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Que seja eterno enquanto dure....e é aí que aperta o calo. Creio que ainda seja cedo para que este casamento reate, mas como um casal que se dá nova chance, nos resta torcer. Não tenho dúvidas que a Copa em 2014 desencadeou muito disso que vc escreveu.

Saudações!!!