"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

17 de nov de 2011

O canto da sereia

A cultura brasileira é rica em lendas folclóricas, porém, para a maioria das pessoas - com exceção as que obviamente apreciam o assunto ou escolhem uma profissão que de alguma maneira o aborde - o contato com essas estórias dá-se na época escolar e com a mesma se encerra.

Entre essas diversas estórias está a lenda da Iara que, de maneira simplista, reza que uma bela sereia de cabelos negros e olhos castanhos que vive nas pedras das encostas dos rios do país costuma atrair os homens com seu irresistível canto, levando-os para o fundo de onde nunca mais voltam, ou, se voltam, acabam enlouquecendo.


A metáfora é válida para ilustrar o atual momento do campeonato brasileiro - e não é minha. Foi usada pelo mestre do comentário esportivo Renato Maurício Prado como alerta para a própria situação que começa a se desenhar no topo da tabela.

RMP usou a expressão do canto da sereia, mais de uma vez, ao ser questionado sobre o papel do Vasco na Copa Sul-americana. O clube que já garantiu vaga na Taça Libertadores do ano que vem com o título da Copa do Brasil, optou por lançar força máxima na competição continental simultaneamente a disputa do campeonato brasileiro confiando na força do seu elenco, conquistou uma vitória tão épica quanto desgastante enquanto seu principal concorrente pelo título nacional assistia do sofá, encarou um clássico - sempre desgastante - logo depois, venceu e depois dessa sequência acaba de perder três pontos que todos davam como certos.

Diego Souza sofre a forte marcação palmeirense e tem atuação apagada

Se o desgaste foi ou não determinante nessa partida específica - e a opinião do blogueiro que vos escreve é que sim - cabe discussão. Mas que o Vasco se deixou levar pelo canto da sereia sul-americana é fato; e agora se vê obrigado a vencer as três partidas que restam, torcer para um tropeço do Corinthians e tudo isso em meio as semi-finais da competição continental contra provavelmente ninguém menos que Universidad de Chile.

Não interpretem esse post como uma apologia ao "descarte de competições" - até porque sou contra e acho perfeitamente possível um clube conquistar tudo que disputa, temos inclusive muitos exemplos no brasil e no mundo - encarem como a realidade do futebol brasileiro, onde o calendário - sempre ele - muitas vezes impõe a necessidade de prioridades e como uma avaliação de erros de estratégia cometidos pelo clube carioca.

O futebol é craque em driblá-la, mas a sabedoria popular as vezes marca presença; "Quem muito quer nada tem" esse com certeza não é e nunca será o lema de um clube vencedor, entretanto, aspirar todos os títulos que disputa é louvável e ficar sem nenhum é, as vezes, o preço que se paga por tão nobre postura.

Um comentário:

FuteB.R.O.N.C.A.! disse...

Mayeda,

Eu compartilhoda seguinte corrente: o ano já é vascaíno, com mais 1, 2 ou até mesmo sem nenhum título daqui em diante.

Louvável a postura vascaína. Desdenhar dela é apenas inveja da oposição.

E - aposte! - a imprensa vai cair de pau no clube se não vier mais nenhum caneco em 2o11.

Torço pelo Vasco, porque torço pelo bom futebol. Mesmo tendo nele meu maior rival.

Saudações!!!