"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

12 de dez de 2011

A tal da fórmula mágica

Futebol não é uma ciência exata - clichê. Não há fórmula mágica para vencer partidas decisivas. Quando se chega a partida decisiva  de um campeonato, seja ele mata-mata ou pontos corridos, o segredo é não procurar segredos. O segredo, se é que podemos assim nomear, é manter exatamente o mesmo trabalho que tem sido feito até então. Mudar no momento derradeiro de um campeonato significa abrir mão de suas características e quase sempre o time que o faz paga preço alto por tal escolha.

Alemanha x Gana - Copa do Mundo 2010
 
Talvez o melhor exemplo que tenhamos visto nos "últimos tempos" seja a seleção alemã. Melhor futebol da Copa do Mundo de 2010, até encontrar a "temida" Espanha e permitir que o excesso de respeito minasse suas ambições de vitória. Hoje, a Alemanha joga o melhor futebol do mundo - e que futebol ! - , chegará a Copa de 2014 como força a ser batida e não fosse a postura adotada em uma única partida, aquela semi final diante da Espanha, e os alemães poderiam chegar ao Brasil lutando pelo penta, e não pelo tetra.

Espanha 1 x 0 Alemanha - Semi-final da Copa do Mundo 2010

É claro que essa é uma visão simplista de um esporte de muitas variantes e que passa longe da simplicidade. "Manter suas características" é referente a essência de seu futebol e não a mudanças táticas e técnicas que podem sim, eventualmente, fazerem a diferença. A questão é que se seu time é essencialmente ofensivo - caso da Alemanha na África do Sul - recuá-lo para jogar de maneira defensiva (contra-ataques) diante de um time taxado como "favorito" é suicídio. Não se assimila uma nova ideologia de jogo em uma única partida.

E é exatamente essa postura - manter sua essência - que o Santos deve adotar se desejar ter o mínimo de chance de realizar o que nenhum outro clube no mundo conseguiu: desbancar um dos maiores times da história do futebol - "o maior time de todos os tempos dos últimos vinte e quatro anos", idade de quem vos escreve. 

Real Madrid 1 x 3 Barcelona - Mais um show de Messi e cia.

Como vencer um time que cria espaços onde eles não existem ? Como explicar um time que joga sem zagueiros, sem atacantes - ao menos fixos - com quatro volantes e goleia ? [Se alguém souber as respostas por favor postem nos comentários]

Porém, há uma pequena vantagem - se é que podemos assim denominar - a favor do Santos nesse duelo. Explico.

O Barcelona vem ao longo das últimas temporadas colhendo os frutos de um trabalho iniciado trinta anos atrás, exercendo um ideologia de jogo de futebol implantada em todas as categorias do clube, que prioriza a posse de bola e a presença no campo adversário. Com esse sistema de jogo - que eu particularmente considero o "novo futebol arte" - o Barcelona vem "engolindo" todos que cruzam seu caminho e nessa lista estão todas as escolas de futebol do mundo(representadas por seus respectivos clubes): inglesa, alemã, italiana, holandesa(embora o próprio Barcelona tenha muitas influências desta) espanhola, russa, francesa entre outras.

Johan Cruyff - Líder da Holanda de 1974 conhecida como Laranja Mecânica. Idealizador do futebol total. fez história como jogador e treinador do Barcelona, um dos responsáveis pelo futebol atual do clube catalão.

Contudo, há uma escola, única, que o clube catalão ainda não enfrentou e que portanto é desconhecida por eles do ponto de vista prático; a brasileira.

Enfrentar um clube brasileiro é diferente. Enfrentar um clube brasileiro que está em busca de um título mundial é muito diferente. Enfrentar um clube brasileiro que está em busca de um título mundial e conta com Neymar e Paulo Henrique Ganso para tanto, é um caso de exceção.

Os times brasileiros pecam pela instabilidade emocional diante da frieza extrangeira, mas possuem uma determinação e uma química diferente de qualquer outra escola do mundo em partidas como estas e diferentemente de outros anos, o representante brasileiro conta com um jogador de exceção, temido pelos adversários e que por isso, impõe um respeito que clube brasileiro nenhum conseguiu em anos anteriores.

As esperanças santistas
 
Ao mesmo tempo que a tarefa do Santos de 2011 é imensamente mais complicada do que a de brasileiros em um passado recente, o time da Vila também é muito mais qualificado para tal conquista, por isso, as razões para se acreditar e duvidar são proporcionalmente iguais e é bom que se lembre: o esporte em questão é futebol. O imponderável certamente aprontará das suas.

2 comentários:

Ricardo Kawai disse...

"Enfrentar um clube brasileiro que está em busca de um título mundial é muito diferente."

A minha opinião a respeito desse duelo que vai acontecer se resume nessa frase.
Falou tudo !

Parabéns pelo blog...to acompanhando mais!

Abraço!

Anônimo disse...

Discordo.
A Alemanha não respeitou em demasia a Espanha. Foi a Fúria quem impôs seu jogo, superior ao alemão em todas as frentes, e não deixou seu adversário jogar.