"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

9 de mai de 2012

Palavras ao vento

Confesso que há pouco mais de um ano atrás, quando Mano Menezes assumiu o cargo que ocupa hoje, fui um dos que se encheram de esperança com a volta dos tempos áureos do futebol brasileiro. O discurso era perfeito - o tal do protagonismo. O resgate da essência do nosso futebol. O que todos desejavam ardentemente depois de quatro anos de absoluto pragmatismo.

Porém - para a nossa tristeza - a ideologia ficou no discurso. O futebol não apareceu, e ao invés do resgate da essência e do protagonismo brasileiro dentro de campo, o trabalho ficou marcado pela absoluta falta de critério - exatamente o ponto em questão nesse post.


O homem que parecia saber exatamente como conduzir o trabalho se perdeu ao assumir um cargo que em nosso país chega a ser mais importante, e a sofrer tanta pressão quanto o presidente da república. Passou a convocar e a desconvocar jogadores de forma aleatória e sem sentido, levando em consideração mais o extra-campo - não que não seja importante, mas não pode ser o aspecto prioritário - do que o desempenho dentro das quatro linhas.

Ramires - que era o homem de confiança de Mano - é a vítima mais recente da alienação do treinador da seleção. Enquanto o ex-cruzeirense joga o fino da bola - e não digo isso apenas pelas partidas recentes, Ramires vem sendo fundamental no Chelsea há algum tempo, deixando jogadores como Essien, Malouda e eventualmente até mesmo um dos símbolos do time, Frank Lampard, no banco de reservas - faz história nas maiores competições europeias, o treinador da seleção brasileira convoca Elias ex-Corinthians e reserva do Sporting(POR) e Fernandinho que joga a "poderosa" liga ucraniana.

Ramires comemorando gol na final da Copa da Inglaterra contra o Liverpool
Sexta-feira tem convocação, a desculpa do treinador seria o fato de Ramires ter sido avançado da posição de volante para a meia esquerda - algo que frequentemente acontece com o volantes brasileiros com boa saída de jogo que vão para o futebol do velho continente - o que o obrigaria a disputar lugar com outros jogadores na seleção. Mas Mano será salvo pelas Olimpíadas e pela desculpa de que tem que aproveitar para treinar o time olímpico nos próximos amistosos.

O fato é que o trabalho de Mano Menezes na seleção prima pela mesma característica que marcou seu antecessor: Incoerência. As escolhas e atitudes do técnico não fazem sentido, de diferente mesmo, apenas a postura, a refinada educação e o discurso, que até agora foram só palavras jogadas ao vento.

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