"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

26 de mai de 2013

Pra brasileiro ver

Estamos longe, muito longe de ser o país do futebol. Não se trata de complexo de vira-latas - muito pelo contrário, até porque os estádios inaugurados por aqui nas últimas semanas, embora não possa afirmar presencialmente, não parecem dever nada aos europeus, salvo alguns problemas pontuais, normais em qualquer início de trabalho, e outros provocados exclusivamente pela falta de respeito brasileira - e sim de um fato facilmente percebido a qualquer um com o mínimo de percepção que teve o prazer de assistir a final da Champions League 2013.

Borussia Dortmund e Bayern de Munique não fizeram um grande jogo, nem tática, nem emocionalmente. Mas a partida entre os rivais alemães foi uma aula de futebol em todos os sentidos.

Podemos começar pelo o que é notado no primeiro olhar: o jogo dentro de campo. Dois times adeptos do futebol moderno. Não havia um único jogador em campo que não soubesse o que fazer com a bola nos pés. Apenas criadores de jogadas. Ocupação correta de espaços como única forma de marcação. Dois times que trabalham em bloco e apenas dispersam suas linhas no momento do contra ataque. A diferença entre eles ficou por conta da qualidade técnica individual, exatamente o que decidiu o jogo a favor dos bávaros. Que falta fez Mario Gotze!

Aula de infraestrutura. A cada ano a UEFA ensina o mundo como se organiza um campeonato de futebol. Estádios impecáveis, do gramado a arquibancada. Pontualidade. Arbitragens criteriosas - erros em uma média aceitável, ou alguém contabiliza erros e mais erros na CL como acontece por aqui na Libertadores por exemplo? - Conforto, acessibilidade e respeito aos torcedores e imprensa. Pra dizer o mínimo.

Aula de exibição. Imagens de transmissão espetaculares, de ângulos incríveis, e replays pontuais, sem cortar momentos importantes do jogo.

Aula de calendário. Sem sobrepor competições entre sí - ao ponto de prejudicar o desempenho dos clubes - ou com datas FIFA, e com o cuidado e o carinho de colocar o jogo mais importante da temporada como gran finale.

Mantivemos por muito tempo - e ainda mantemos - o título de país do futebol não apenas pelos títulos, mas pela paixão que segundo muitos, não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Será? ...

SUA TORCIDA FAZ ISSO?
Torcedores brasileiros se gabam de estar com o time mesmo na derrota. De aplaudirem ainda em campo depois de uma eliminação. Paixão que está acima da vitória. Acabamos de ver o mesmo partindo da torcida que foi derrotada pelo maior rival na competição de clubes mais importante do mundo!

Confesso que posso ser suspeito para falar, sempre fui fã de carteirinha do futebol europeu, quem me conhece sabe, em especial do inglês e do alemão. Se você não acompanha, tente antes de me crucificar. Premier e Bundesliga juntas, colocam por terra qualquer argumento contrário: estamos longe, muito longe de ser o que pensamos que somos.

Um comentário:

Fabio Fernandes disse...

Esperamos que nossos treinadores tenham prestado bastante atenção ao futebol demonstrado pelos alemães durante a Champions league, para que no brasileirão possamos lembrar pelo menos um pouquinho desses jogos memoráveis. www.assuntodofutebol.com.br