"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

24 de jun de 2014

Desequilibrada

Perdoem-me as seleções que voltarão para casa no final dessa semana, mas a Copa do Mundo começa agora. O que vimos até aqui foi uma espécie de confraternização entre os povos, onde havia margem para erros, pequena, mas havia.

A partir de agora essa margem não existe, como diria um companheiro de profissão, com quem tive o prazer de trabalhar nos últimos anos, agora, chora menos, quem pode mais.

O esquema que consagrou a seleção brasileira campeã da Copa das Confederações no ano passado está falido. Os três primeiros jogos dessa Copa são a prova disso. Vencemos duas partidas e nos classificamos em primeiro lugar do grupo por duas razões: talento individual -contra a Croácia Neymar e Oscar desequilibraram, hoje, Neymar, e a entrada de Fernandinho, decidiram o jogo- e o fator casa -fosse a Copa em terras estrangeiras, estaríamos nós nos despedindo hoje. Na única partida em que um desses elementos não apareceu -a individualidade- não saímos do zero.

Engana-se quem pensa que nosso forte é o jogo coletivo, engana-se mais ainda quem acha que só temos um jogador capaz de desequilibrar.

O 4-3-3 armado por Felipão depende de um jogador fundamental: Paulinho. O Paulinho de um ano atrás, recém saído do Corinthians, era o pulmão da equipe, comandava as ações no meio de campo e organizava a retomada e a saída de bola. O Paulinho de hoje, reserva no Tottenham, é inoperante, omisso em campo. Não dá o primeiro combate nos meias adversários, não cobre os laterais, não volta para distribuir a bola ao ataque e não aparece como elemento surpresa na área adversária, justamente sua melhor qualidade, decisiva em muitos momentos no ano passado. E nesse caso, o baixo rendimento do camisa 8 tem causado um efeito ainda mais grave na equipe: O time perde o meio, e fica "rachado" em campo. A "má fase" de Fred é a maior prova disso.

Sem a ligação do meio, a bola não passa por Oscar, quando passa, vem sem qualidade e principalmente, sem opções de jogadas próximas a ele. Com os três atacantes, dois deles abertos pelo lado do campo, o jogadores ficam muito distantes uns dos outros, facilitando a marcação adversária. Na primeira partida, contra a Croácia, Oscar por diversas vezes caiu para os lados do campo para encostar em Neymar, Bernard e nos laterais que avançavam, foi quando saíram as melhores jogadas de ataque. Feito que não conseguiu repetir contra México e Camarões.

E não é só o ataque que sofre, sem o "serviço" de segundo cabeça de área de Paulinho, Luiz Gustavo fica sobrecarregado na marcação, precisa dar combate aos meias deixando a cobertura dos laterias a cargo de Thiago Silva e David Luiz, que a todo momento precisam sair da área para dar combate nas laterias do campo. O lado direito, que teoricamente seria o lado de marcação de Paulinho, é o mais prejudicado. Fator que também sacrifica Hulk, que precisa voltar até a linha de fundo para cobrir as costas de Daniel Alves.

De bico, Fernandinho marcou o quarto gol da seleção
Nos únicos 45 minutos em que nosso segundo volante funcionou, goleamos com facilidade, e foi justamente o segundo tempo da partida de hoje, com a entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho. O jogador do Manchester City entrou para fazer exatamente a mesma função, dar o primeiro combate na intermediária e fazer a ligação com o ataque, e fez com qualidade, basta perceber os seguintes fatores: Depois da jogada de Fernandinho na entrada da área, David Luiz cruzou para o gol de Fred -ligação do meio com o ataque. Poucos minutos depois o próprio Fernandinho marcou o gol invadindo a área -elemento surpresa no ataque. Depois que ele entrou, Camarões não conseguiu armar uma única jogada ofensiva -primeiro combate na intermediária.

Há muitas maneiras de um jogador desequilibrar uma partida. Como eu disse, engana-se quem pensa que temos apenas um jogador capaz de fazê-lo. Mas engana-se mais ainda, quem acha que isso será o suficiente para os próximos jogos. Temos uma seleção desequilibrada, para bem, e para o mal.

25 de mai de 2014

Justiça

"Jornalista isento é mito" - alguém disse, e eu, em meu curto tempo de profissão, corroboro. No íntimo, todos têm uma preferência, uma tendência, uma opinião, o que muda, é a capacidade de não deixar que isso interfira no produto final, a notícia. No jornalismo esportivo essas características são potencializadas, "esconder" a preferência por "A" ou "B" é um tanto complicado.

Ontem, fui colchonero por uma tarde. Tomado, como tantos outros, por um complexo de "Davi x Golias". Impossível não se deixar contagiar pela temporada do Atlético de Madrid. Um "time de futebol" na mais pura essência da palavra. Um "jogo coletivo" dos melhores que já vi na vida.

Para a maioria um time "retranqueiro" que jogou por uma bola e teve a sorte de achá-la jogo após jogo. Visão pequena e superficial de quem só vê o óbvio, ou não. Mais do que uma defesa sólida, os alvirrubros jogam de maneira inteligente, e possuem recursos. Um meio de campo que sabe administrar a posse de bola em momentos chaves da partida e uma força mental impressionante, são capazes de lidar com as mais diversas situações de jogo sem se desorganizar em campo.

Torcida do Atletico aplaude equipe depois da final
A campanha fala por sí. No caminho dos colchoneros até a final, só campeões da liga, Milan, Barcelona e Chelsea. O Atlético de Madrid merecia o título. O futebol merecia o primeiro título do Atlético de Madrid. O inédito título do Altético de Madrid faria melhor ao futebol do que o décimo título do time que mais vezes venceu a Liga. Faria?

160 gols, melhor ataque da Europa na temporada - e acredite se quiser há quem chame Ancelotti e cia de "retranqueiros". Impressionantes 41 gols na liga, com um Cristiano Ronaldo em sua melhor fase batendo todos os recordes possíveis. Uma campanha irrepreensível, eliminando os dois finalistas da última edição da Liga, Bayern de Munique e Borrusia Dortmund, com autoridade. Seguramente, um dos times com maior capacidade de "contra-ataque" da história do futebol.

O Real Madrid tomou um gol em uma falha individual, em um dos poucos ataques que sofreu na partida. Depois disso, impôs seu domínio sobre a melhor defesa da Europa. E se aos colchoneros começava a faltar perna nos quinze minutos finais de partida, aos merengues faltou a presença de seus principais jogadores, Cristiano Ronaldo e Gareth Bale não apareceram para jogar. Mas aí, a principal diferença entre os times apareceu: elenco.

Dí Maria foi o melhor jogador da Final da Champions
Ao perder Diego Costa e Arda Thuran o Atlético ficou sem presença ofensiva, e se CR7 e B11 não estavam em seus melhores dias, não se pode dizer o mesmo de Dí Maria. Como joga esse argentino! E quando Simeone olhou para o banco em busca de alternativas, encontrou... Ádrian Lopez e Sosa. Ancelotti tinha a disposição Marcelo e Isco.

O Real Madrid de Ancelotti - treinador inteligente, que sabe extrair o melhor de cada jogador, e que não muda os jogadores de acordo com esquema, encaixa o esquema de acordo com as características dos jogadores - merecia o décimo título. Carlo Ancelotti merecia o quinto(!!!) título da Liga. O melhor do mundo merecia coroar a temporada com a "orelhuda". O futebol merecia registrar o incrível feito do Real Madrid: 10 títulos europeus! O décimo título merengue foi melhor ao futebol do que o primeiro título colchonero. Foi?

Décimo título do Real Madrid marca quinta conquista da carreira de Carlo Ancelotti e a segunda de Cristiano Ronaldo
Invariavelmente, fez-se justiça, e injustiça. E que registre-se: o gol do título, foi o do Sergio Ramos!

21 de mai de 2014

Segundos eternos

Existem certos acontecimentos esportivos que sempre valem a pena serem lembrados. Não ficam velhos, não desvalorizam, não perdem a emoção. Lances que aprendemos a apreciar sobre uma nova perspectiva a cada repetição.

O lance em questão aconteceu na primeira rodada dos playoffs da NBA - Não terá mais nenhuma influência no futuro da liga, já que ambos os times já foram eliminados - Era o sexto jogo entre Toronto Raptors e Portland Trail Blazzers. Os Blazzers estavam a um jogo de fechar a série, e a nove segundos de perder a partida, quando, o ótimo, Damian Lillard, camisa 0 do Blazzers, protagonizou um lance antológico.

O placar marcava 98 a 96 para os Raptors, em uma jogada que parecia morta, Lillard se desloca da ponta direita para o centro do garrafão, salta para trás para fugir da marcação e arremessa da linha de três.

Por uma fração de segundos o mundo para. Respiração, corações, olhares estáticos. Apenas a bola parece ter o direito de se deslocar, de desafiar o tempo, o ar, a gravidade.

A luz vermelha da tabela se acende, como quem anuncia o fim, o fim de uma espera, de um trajeto que em milésimos de segundos, muda para sempre a história. E, explosão.

Posso escrever por dias que não vou conseguir descrever o sentimento. Posso escrever por dias, que não vou conseguir descrever todo o sentimento. Posso escrever por dias, mas não sei nem por onde começar a descrever o sentimento.

Perguntava-me se o assunto ainda era válido para um post, agora pergunto-me se um post é suficiente para o assunto.


(Dica: Clique no botão do Youtube no vídeo e assista direto no site em HD)

28 de abr de 2014

O novo Van der Sar

Já são vinte partidas sem sofrer gols na liga das estrelas, e a boa fase não é apenas reflexo da boa fase da equipe, Thibaut Cortois conseguiu esse feito também na temporada passada, quando o Atlético de Madrid já dava mostras de sua evolução. Cortois é o primeiro goleiro a ficar 20 partidas sem ser vazado em duas temporadas distintas na Espanha.

A segurança do arqueiro estará a serviço da talentosa seleção belga na Copa do Mundo. Apontado por muitos como novo Edwin Van der Sar, tem apenas 21 anos de idade. Começou a carreira no Genk(BEL) e rapidamente chamou a atenção dos gigantes europeus. Comprado pelo Chelsea, foi emprestado ao Atlético de Madrid há três anos, para ganhar experiência, e hoje é visto até pelos torcedores dos Blues como o substituto ideal para Peter Cech.

Desde que chegou a Madrid, Cortois já conquistou uma Liga Europa, uma Supercopa da Europa e uma Copa do Rei
Com quase dois metros de altura, relfexos apurados, e uma confiança incomum para um goleiro tão jovem, Cortois vive a melhor fase da carreira em um ano que marca o ressurgimento do Atlético de Madrid entre os grandes da Europa. Os alvirrubros estão na liderança do Campeonato Espanhol, a dois jogos de acabar com a hegemonia Barcelona/Real Madrid, e disputam a semi-final da Liga dos Campeões, depois de 40 anos. Além disso, o goleiro também é um dos principais responsáveis pela excelente campanha belga nas Eliminatórias da Copa de 2014. A Bélgica voltou ao mundial depois de amargar 12 anos de ausência.

Ao lado de Eden Hazard, Thibaut Cortois é um dos destaques da - que vem sendo apontada por muitos - melhor geração belga da história
Thibaut Cortois é um dos principais nomes de um time que tem como trunfo a segurança defensiva e o jogo coletivo, chegará ao Brasil como goleiro de uma das seleções mais talentosas da competição, e certamente, com mais alguns títulos no currículo. Olho nele! Candidatíssimo a melhor goleiro do Mundial.

17 de mar de 2014

Garoto de ouro

No post passado, falei sobre o bom trabalho de Sampaoli na seleção do Chile, como destaque da equipe, Arturo Vidal, segundo volante da Juventus de Turim que marca e arma o time com muita qualidade. Hoje, o De Olho no Lance traz mais um destaque da Copa do Mundo que atua no futebol italiano, companheiro de Vidal na Juventus, e um dos motivos pelos quais a Vecchia Signora caminha a passos largos para mais um título da Calcio.

Paul Labile Pogba, meio campista francês de apenas 20 anos de idade, mas que tem personalidade e futebol de veterano. Pogba atua como primeiro volante, com 186 cm e um porte físico que impõe respeito, o camisa 6 é um típico cabeça de área, dá o primeiro combate, organiza a saída de bola e tem boa chegada a frente e presença de área em bolas aéreas.

Revelado pelo Le Havre, da França, logo chamou a atenção de um gigante da Europa, o Manchester United. Contratado pelo clube inglês em 2009, teve poucas chances no time principal de Alex Ferguson. Acabou transferido para os bianconeri a custo zero, pior para os Red Devils, que agora veem seu ex-jogador comandar com autoridade o meio campo da equipe de Turim.

O bom futebol já rendeu a Pogba prêmios individuais na temporada 2013. Golden Boy 2013, dado ao melhor jogador jovem da Europa, e o prémio de melhor jogador do Mundial Sub-20, vencido pela sua seleção, a França

Nome certo para estar no Brasil em Junho, Pogba esteve na equipe comandada por Deschamps que garantiu a vaga da seleção francesa para a Copa, na respecagem contra a Ucrânia.

Como não poderia deixar de ser, o bom futebol já desperta a cobiça dos principais clubes do mundo. Diariamente os noticiários esportivos europeus especulam sobre possíveis ofertas pelo jogador, que estaria na mira de Real Madrid, Barcelona, Paris Saint Germain e Chelsea, todos dispostos a descarregar um caminhão de dinheiro para contar com o futebol daquele que está sendo chamado pelos franceses como o "novo Patrick Vieira".

6 de mar de 2014

Franco atiradores

O título de "seleção kamikaze" da Copa de 2014 já tem dono, aliás, figurinha repetida nesse posto: Chile.

Nossos, mais ou menos, vizinhos chegam ao mundial novamente como aquele adversário que, se não causa medo, preocupa os adversários.

O futebol chileno sempre foi adepto da cultura ofensiva, se recusa a se apequenar diante dos grandes. Vai ao ataque sem ver "quem" e "onde". Ousadia que sempre cobrou seu preço, inclusive em Copas do Mundo.

O time de 2014 não tem lá grandes diferenças nas características básicas, mostra muita movimentação, velocidade pelos lados do campo e qualidade técnica do meio para frente. O ponto que faz desse Chile mais perigoso que os de Copas passadas, é o equilíbrio entre os três setores da equipe.

Jorge Sampaoli ousou sem se descuidar da retaguarda do time. Montou um esquema com três zagueiros que favorece a velocidade dos alas e dos atacantes - melhor qualidade da equipe - abriu mão de um armador cerebral - azar do Valdívia - e compôs o meio campo com três volantes com boa qualidade na saída de bola. Resultado: time vem desafiando as maiores potências do mundo da bola de igual para igual. Foi assim com Brasil, Espanha e Inglaterra durante os amistosos de preparação para Copa, foi assim hoje, contra aquela que 10 em cada 10 boleiros apontam como favorita ao mundial: Alemanha.

Formações que iniciaram a partida entre Alemanha e Chile hoje

Dentro de campo, uma surra chilena pra cima de Schweinsteiger e cia, no placar, uma daquelas ironias que só o futebol é capaz de produzir: Alemanha 1x0 Chile.

O Chile vem ao Brasil como foi aos últimos mundiais: com um futebol técnico, ofensivo, vistoso, mas que peca na desatenção crônica da defesa e na irritante mania de perder um caminhão de gols por jogo. Se conseguir corrigir esse problemas, Sampaoli e seus comandados podem almejar mais do que "dar dores de cabeça" aos adversários.

Com 11 gols e 5 assistências na atual temporada da Calcio, Vidal já recebe até o apelido de "Messi dos meio campistas"

Olho nele - Arturo Vidal é o destaque dessa seleção. É mais um dos casos europeus de volantes-meias. Com muita qualidade nos passes e arremates de longa distância, o meio campo da Juventus, cobiçado por Real Madrid e outros gigantes do Europa, joga com a 8 e com a 10. Jogador completo. Olho nele!

24 de fev de 2014

Os Diabos Vermelhos

Toda Copa do Mundo tem aquele favorito que decepciona e aquela surpresa que a cada vitória deixa todos se perguntando: "Será?"

Em 2002, a então campeã França, voltou para Paris ainda na primeira fase, sem marcar um gol sequer. No mesmo ano, acompanhamos uma disputa de terceiro lugar entre Turquia e Coréia do Sul! Em 2006 foi a vez de um surpreendente Portugal, comandado por Felipão ficar entre as quatro melhores seleções do planeta. A decepção ficou por conta do quadrado mágico brasileiro formado pelos Ronaldos, Kaká e Adriano. Já na África do Sul, em 2010, a "surpresa" ficou por conta do renascimento da celeste uruguaia que ficou em quarto lugar e teve ainda o melhor jogador do mundial, Diego Fórlan. As decepções foram muitas, Itália, França e Costa do Marfim que chegaram muito bem cotadas, não passaram da primeira fase.

Como deu pra perceber, não é preciso voltar muito no tempo para perceber que a tônica de frustração e sucesso inesperado é uma marca do torneio de futebol mais importante do mundo. E se depender dos prognósticos, o Brasil corre o risco de presenciar uma das maiores zebras da história do futebol - pra não dizer a maior. Explico.

Em Junho vai desembarcar no Brasil uma seleção pouco notada por quem não acompanha o futebol tão de perto, e muito esperada pelos especialistas de plantão: A Bélgica.

Depois de surpreender a Europa, Marc Wilmots e seus comandados prometem dar trabalho na Copa no Mundo
A seleção belga fez uma eliminatória impecável: 8 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota. 18 gols marcados e apenas 4 sofridos. O time comandado pelo belga Marc Wilmots prima pela qualidade técnica, e vem jogando o fino da bola.

Sob as traves estão Simon Mignolet e Thibaut Cortois. O primeiro é um dos principais responsáveis pelo bom início de Premier League do Liverpool. O segundo é o arqueiro titular do Atlético de Madrid, uma das sensações da atual temporada do futebol europeu, que acaba de derrubar o Milan, em pleno San Siro, pela Liga dos Campeões - nesse jogo aliás, Cortois operou um milagre em uma cabeçada queima roupa dentro da pequena área.

Cortois é um dos principais responsáveis pela ótima temporada do Atlético de Madrid e sério candidato a melhor goleiro da Copa

Se debaixo das traves a segurança está garantida, em frente a grande área a situação não é diferente. Vicente Kompany, titular do Manchester City desde 2008(campeão inglês em 2012) é o dono da zaga. Ao seu lado no time titular, Thomas Vermaelen, capitão do Arsenal. As opções no banco? Van Buyten e Jan Vertonghen. Buyten, apesar de reserva no poderoso Bayern de Munique é um nome a ser respeitado. Vertonghen, tem 26 anos e tem a versatilidade como grande trunfo, atua na zaga e na lateral esquerda. Foi disputado pelo principais times da Premier League no início da temporada, acabou no Tottenham.

Na cabeça de área aparece Mousa Dembélé, companheiro de Vertonghen nos Spurs, é um verdadeiro cão de guarda da defesa e ainda sobe bem ao ataque com bons arremates de longa distância. Alex Witsel, destaque do Zenit, da Rússia, também é outra boa alternativa. Fechando o meio campo, ninguém menos do que Marouane Fellaini. Atuando como segundo volante, foi o principal nome do Everton na temporada passada, desempenho que o rendeu um contrato com o Manchester United e pompa de salvador da pátria no meio campo dos Red Devils.

Hazard é o principal destaque da seleção belga
O setor de criação da equipe vai bem obrigado. Eden Hazard, camisa 10 que atua no Chelsea dispensa apresentações. Rápido e muito habilidoso, joga pela meia esquerda, quase como um ponta de lança, arma o time e invade a área para finalizar. Ao seu lado na armação estão Kevin de Bruyne e Nacer Chadli, dois jovens que também atuam no futebol inglês. Bruyne é companheiro de Hazard no Chelsea, Chadli é outro que vem do Tottenham.

O ataque é o setor que menos impressiona nos nomes, mas que passa um dos melhores momentos. Dries Mertens fez uma boa temporada pelo PSV, da Holanda. Kevin Mirallas é outro bom nome que vem do futebol inglês. Mas o cara do momento no ataque belga é Romelu Lukaku, mais um que atua na terra da rainha, Lukaku faz ótima campanha com o Everton com média de um gol por jogo.

Centroavante forte e rápido, Lukaku é o homem gol da seleção e do Everton
Marc Wilmots costuma armar a equipe no 4-2-3-1, o esquema dá mais liberdade para os alas atacarem já que os laterias têm poucas características ofensivas. Outro ponto forte é o entrosamento, já que esse time começou a ser montado em 2008, na Olimpíadas de Pequim.

A Bélgica está no Grupo H da Copa, ao lado de Rússia, Argélia e Coréia do Sul. Meu palpite? Se classifica em primeiro do grupo, e chega no mínimo até as semi-finais. Olho neles, são a surpresa com mais chances de título das últimas décadas.

17 de fev de 2014

Clássico camisa...

Versatilidade é uma das características mais procuradas por treinadores de futebol atualmente, e essa capacidade de adaptação em várias posições pode garantir ao jogador a titularidade em um clube e até mesmo a vaga na seleção de seu país.

Os treinadores a procuram por uma série de fatores, carência em uma determinada posição no elenco, como tentativa de extrair o máximo de desempenho de um atleta, para adaptar um esquema tático, encaixar dois ou mais jogadores “indispensáveis” no mesmo time, entre outras razões.

Geralmente acompanhamos essa troca de posições do meio para trás dos times. Zagueiros jogando como volante, volante quebrando o galho na zaga, quarto zagueiro de lateral que não apoia, e como sempre acontece com brasileiros que vão para o futebol europeu, segundo volante virando meia de criação – que o digam Ramíres, Hernanes e Paulinho, para citar os mais recentes.

Essa mudança, principalmente dos volantes-meias, se tornou parte da cultura do futebol inglês, em parte pela carência de camisas 10 que assombra o english team há várias gerações, em parte pela absurda qualidade dos volantes que lá surgiram nos últimos anos. Não a toa, os últimos grandes nomes da seleção foram/são Steven Gerrard e Frank Lampard, o segundo aliás, se não estou enganado – possibilidade grande já que estou puxando pela memória rapidamente – foi o último inglês finalista a bola de ouro da Fifa.

Mas recentemente uma mudança de posição mais a frente tem chamado a atenção na terra da rainha. Trata-se de um dos maiores nomes do futebol inglês nos últimos anos: Wayne Rooney.

Aos 28, Wayne Rooney chegará a Copa do Mundo em um dos melhores momentos da carreira

Sua qualidade como camisa nove é inquestionável. Forte, rápido, e dono de uma finalização letal, é o principal goleador da seleção inglesa e do Manchester United . Como atacante, vez ou outra como centroavante, ganhou notoriedade e disputou as Copas do Mundo de 2006 e 2010. Mas aos poucos, foi aliando ao seu futebol uma visão de jogo e qualidade de passe incomum para um atacante, afinal, se você é o homem mais adiantado, para quem passar a bola?

É bem verdade que a carência de um meia cerebral na seleção e no próprio Manchester United, que vem de anos, influenciou, mas o futebol de Rooney se agigantou ainda mais com a mudança. Hoje ele é um clássico camisa 10, dá passes em profundidade, volta para marcar e ainda tem a versatilidade de jogar em todos os setores de ataque – centro e lado de campo.

Na atual temporada, o meia Rooney, já deu 19 assistências e marcou 15 gols. Diante da escassez de camisas 9 e 10 do futebol atual, o Manchester United e a seleção inglesa arrumaram um 2 em 1. Reservem as duas camisas, elas têm um único dono.

Qualquer semelhança, não é mera coincidência

Corinthians e Palmeiras entraram em campo como é de praxe: crise de um lado, tranquilidade do outro. Cenário que está sempre a um gol de distância de se inverter.

E essa não foi a única semelhança. O duelo dessa tarde, número 151 de corintianos e palmeirenses no Pacaembu, teve todas as obviedades possíveis no que diz respeito a história recente dos clubes.

Romarinho fez gol - e precisou de 4676947 chances para converter uma. Cássio, defende chutes a queima roupa dentro da área e não acerta uma saída de gol em bolas aéreas. Ralf colocou Valdívia no bolso. Lúcio arrumou briga. Fernando Prass provou - mais uma vez - que está entre os melhores goleiros do Brasil. Alan Kardec fez gol de cabeça, que mais pareceu um chute - aliás, é hoje o melhor centroavante em atividade no Brasil. Que bom que o Felipão é uma porta de teimoso, né Fred?! Senãããoo... O Corinthians empatou! - a vá?! - Gilson Kleina, um daqueles treinadores que não importa o resultado dentro de campo, precisa matar um leão por rodada pra provar que merece reconhecimento, mais uma vez deu aula de futebol em treinador de grife que tem muita firula na entrevista e pouca eficiência armando time. Mano Menezes errou! - a vá?! - recuou o time na hora errada - atitude de treinador de time pequeno - e demorou uma vida pra colocar Renato Augusto em campo. Pra variar, o medo de perder o clássico, foi maior que a vontade, e a necessidade, de ganhar. De ambos os lados.

Alguém pegou outra?

Me conta uma novidade vai.

E pode por o jogo nas estatísticas, porque foi só pra isso que o clássico de hoje serviu.

6 de fev de 2014

Morre(?) Luiz Aragonés

Confesso que o assunto do post está atrasado. Resolvi reparar um erro, que foi ter deixado passar o fato sem dar a ele a devida importância.

No primeiro dia desse mês o futebol ficou órfão do principal mentor da última grande revolução do esporte: José Luis Aragonés Suárez Martínez, a mente por trás do tiki-taka.

Apesar da identificação como treinador com o Altético de Madrid e de ter jogado no Real Madrid, sua maior contribuição ao futebol ganhou notoriedade e milhões de fãs, ironicamente, no rival Barcelona, sob o comando de Pep Guardiola. O clube catalão importou a filosofia de Aragonés para suas categorias de base, formou um esquadrão, com Messi, Xavi e Iniesta e deu vida ao novo conceito de futebol arte criado pelo espanhol: troca de passes e posse de bola no campo adversário. Xavi e Iniesta, aliás, são descobertas do próprio Aragonés.

Luiz Aragonés teve cinco passagens como treinador do Atlético de Madrid, onde foi campeão mundial em 1974

Aragonés marcou o início de uma nova era no futebol espanhol, a era mais vitoriosa da história do país. Seu tiki-taka transcendeu os clubes, chegou a seleção, que sob seu comando conquistou a Eurocopa de 2008. Era o início da transição espanhola, de seleção fracassada para maior potência mundial. Ele passaria o bastão logo em seguida para Vicente Del Bosque, mas o trabalho estava feito. Del Bosque apenas conduziu a Fúria aos títulos da Copa do Mundo de 2010 e novamente da Eurocopa em 2012, e confirmou o que todos já sabiam: Aragonés reinventou a forma de se jogar futebol, criou um novo padrão, uma nova referência, de uma forma que não era vista desde a Laranja Mecânica de Johan Cruijff, em 1974.

Mais do que resultados, Aragonés deixa um legado de transformação ao futebol, um conceito que uniu simplicidade e eficiência, capaz de produzir resultados absolutamente extraordinários.


30 de jan de 2014

Mulecada, versão 2014

Mulecada do Santos põe Corinthians na roda e goleia na Vila Belmiro
5x1 em um clássico desse porte não é exatamente um resultado comum, muito mais em começo de temporada, mas, pelas circunstâncias, também está longe de ser surpreendente, atípico, está de bom tamanho - Seria surpreendente se fosse o Corinthians de Tite levando cinco gols.

Mas, surpreendente mesmo é a incrível capacidade da Vila Belmiro em revelar talentos. Começo a desconfiar que não há categorias de base na Vila, e sim uma maternidade com meninos feitos em laboratório.

Não sei se é a água, a comida, o gramado, o ar, a brisa do mar, iemanjá, ou sei lá o quê. Eles simplesmente parecem brotar nos campos de jogo, vestiários, concentração santista. Vende-se um Neymar, nasce mais um montão, na maior disposição. É quase um ciclo vicioso, e nos últimos anos, nem período de entressafra há mais. É tanta revelação que já estão até escoando a produção - leia-se Neílton.

Como diria o povão – e como eles devem estar dizendo no vestiário – “os muleque deitaram” no Corinthians. Futebol de muleque, na melhor essência da palavra.

Não cabem comparações ainda, óbvio, mas a impressão que se teve essa noite é que uma nova geração, daquelas que fazem todas as torcidas pararem para apreciar – exatamente essa a palavra, apreciar – um bom futebol, está surgindo.

Que assim seja, o futebol agradece!

27 de jan de 2014

Tudo como dantes...

Desalento. Se há alguma palavra para definir o sentimento da torcida são paulina nesse início de 2013, digo, 2014 – 14? – é essa.

A impressão que se tem é que todo mundo se vestiu de branco, pulou as sete ondas, comeu lentilha, fez promessa, menos o time do São Paulo. Esse ainda está em 2013, com os milhares de defeitos, e pouquíssimas virtudes, que acompanharam a equipe durante todo o ano passado.

Até o enredo da partida dessa tarde foi igual. Muita posse de bola, pouca – pra não dizer nenhuma – criação, nenhuma – dessa vez nenhuma mesmo – marcação no meio de campo e segurança zero na defesa. Fosse o Oeste um time pouco mais qualificado e a história seria diferente, aliás, tivesse o jogo mais dez minutos e talvez a história já seria outra, porque até o sufoco final, que testava o coração dos são paulinos em 2013, continua presente esse ano – e as semelhanças não param por aí...


Luis Fabiano desperdiçou outro pênalti na partida contra o Oeste

De diferente mesmo só a eficácia nas contratações. Poucas e certeiras. Luiz Ricardo é o dono da lateral direita, em parte por apresentar um bom futebol, mais sólido e seguro do que seus concorrentes diretos pela posição – Douglas e Paulo Miranda – em parte porque seus concorrentes diretos pela posição são Douglas e Paulo Miranda.

O uruguaio Álvaro Pereira honrou a tradição celeste-tricolor, em pouco mais de uma hora de jogo foi mais à linha de fundo do que Reinaldo em toda a temporada passada, deu duas assistências e está anos luz à frente do brasileiro no quesito marcação. Camisa 6 está entregue.

O manual de clichês do futebol diz que três jogos – com uma pré-temporada ridícula como a nossa – é cedo para analisar mais a fundo o que quer que seja. O adendo é que esse clichê serve para quem começa um novo trabalho, ou ao menos promove mudanças em busca de melhores resultados. O São Paulo continua em 2013, alguém precisa ir até lá,  avisar que 2014 já começou, e a bola pune quem se atrasa pro rolê!

Ah, acredite, o São Paulo venceu(2x1), e se você gosta de clichê, aqui vai mais um: venceu, mas não convenceu.