"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

17 de fev de 2014

Clássico camisa...

Versatilidade é uma das características mais procuradas por treinadores de futebol atualmente, e essa capacidade de adaptação em várias posições pode garantir ao jogador a titularidade em um clube e até mesmo a vaga na seleção de seu país.

Os treinadores a procuram por uma série de fatores, carência em uma determinada posição no elenco, como tentativa de extrair o máximo de desempenho de um atleta, para adaptar um esquema tático, encaixar dois ou mais jogadores “indispensáveis” no mesmo time, entre outras razões.

Geralmente acompanhamos essa troca de posições do meio para trás dos times. Zagueiros jogando como volante, volante quebrando o galho na zaga, quarto zagueiro de lateral que não apoia, e como sempre acontece com brasileiros que vão para o futebol europeu, segundo volante virando meia de criação – que o digam Ramíres, Hernanes e Paulinho, para citar os mais recentes.

Essa mudança, principalmente dos volantes-meias, se tornou parte da cultura do futebol inglês, em parte pela carência de camisas 10 que assombra o english team há várias gerações, em parte pela absurda qualidade dos volantes que lá surgiram nos últimos anos. Não a toa, os últimos grandes nomes da seleção foram/são Steven Gerrard e Frank Lampard, o segundo aliás, se não estou enganado – possibilidade grande já que estou puxando pela memória rapidamente – foi o último inglês finalista a bola de ouro da Fifa.

Mas recentemente uma mudança de posição mais a frente tem chamado a atenção na terra da rainha. Trata-se de um dos maiores nomes do futebol inglês nos últimos anos: Wayne Rooney.

Aos 28, Wayne Rooney chegará a Copa do Mundo em um dos melhores momentos da carreira

Sua qualidade como camisa nove é inquestionável. Forte, rápido, e dono de uma finalização letal, é o principal goleador da seleção inglesa e do Manchester United . Como atacante, vez ou outra como centroavante, ganhou notoriedade e disputou as Copas do Mundo de 2006 e 2010. Mas aos poucos, foi aliando ao seu futebol uma visão de jogo e qualidade de passe incomum para um atacante, afinal, se você é o homem mais adiantado, para quem passar a bola?

É bem verdade que a carência de um meia cerebral na seleção e no próprio Manchester United, que vem de anos, influenciou, mas o futebol de Rooney se agigantou ainda mais com a mudança. Hoje ele é um clássico camisa 10, dá passes em profundidade, volta para marcar e ainda tem a versatilidade de jogar em todos os setores de ataque – centro e lado de campo.

Na atual temporada, o meia Rooney, já deu 19 assistências e marcou 15 gols. Diante da escassez de camisas 9 e 10 do futebol atual, o Manchester United e a seleção inglesa arrumaram um 2 em 1. Reservem as duas camisas, elas têm um único dono.

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