"Além dos sinais externos que denunciam - cabelos brancos, cabelo nenhum, rugas, barriga, essas indignidades - as gerações se reconhecem pelos jogadores de futebol que se têm na memória"

Luis Fernando Veríssimo

15 de abr de 2016

Thank you, Kobe!

Se você reparar na data da última postagem - antes dessa, claro - vai notar que o blog estava parado há cerca de um ano. Ele existe há quase dez, por causa dele, tomei a decisão de fazer a faculdade de jornalismo há cinco anos atrás. Hoje estou formado, trabalhei na área durante anos, e já saí dela, para um novo desafio - ignore esse perfil aí ao lado. A vida e os objetivos mudaram, e o hobbie de escrever e contar histórias - sim, hobbie, porque mesmo quando trabalhava com isso, continuou sendo uma diversão - ficou em segundo plano. Escrever aqui era uma necessidade, quase física, de expor opiniões e emoções que o esporte me causava, não é exagero dizer que eu costumava ser movido por esse sentimento, que, por alguma razão ainda desconhecida, desapareceu nos últimos anos.

Então por que escrever agora? Porque por algumas horas, nesse 13 de abril de 2016, o sentimento voltou, graças a um nome: Kobe Bryant.


Jornalista vive de contar histórias, mas há histórias que não podem ser contadas, porque simplesmente não há como colocá-las em palavras. Foram vinte anos de Los Angeles Lakers. Uma carreira que passou por todas as fases de um atleta absolutamente acima da média: talento, imaturidade, derrotas, aprendizado, amadurecimento, vitórias, conquistas, recordes, auge, lesões, declínio. Kobe enfrentou todos os adversários possíveis e venceu todos eles. Infelizmente, para a nossa tristeza, Black Mamba só não descobriu como vencer um único oponente, o tempo.

O tempo que nos trouxe uma carreira brilhante e nos ensinou a admirar o eterno camisa 24 de Los Angeles, agora nos deixa órfãos do maior expoente da NBA desde a era Jordan.

Nos últimos anos nos acostumamos a ver o gênio sofrendo com lesões e com times medianos. A franquia de Los Angeles fez, na temporada de despedida de seu maior ídolo das últimas décadas, a pior temporada de sua história. Nos acostumamos a "esquecer" o que Kobe fez e representou, mas nesse dia histórico, 13 de abril de 2016, Kobe Bryant entrou em quadra pela última vez para lembrar a todos, quem foi Kobe Bryant. Brilhante, decisivo, surreal, real. Em seu último jogo ainda tinha recordes para quebrar, e pela sexta vez na carreira marcou 60 pontos em uma partida, superando MJ.



"Gênio", essa é a palavra mais banalizada do esporte. Intitula-se gênio quem nada fez para merecer tal reconhecimento. "Gênio" nem começa a descrever Kobe. O que Mamba fez durante sua carreira e em sua despedida nunca mais será visto. Sorte de quem pôde acompanhá-lo, sorte de quem pôde jogar ao lado dele, sorte de quem o enfrentou, sorte de quem de alguma forma fez parte dessa história. 


Sua despedida foi anunciada há meses. Desde então estamos nos despedindo pouco a pouco. Parece até que Kobe sabia o quão duro seria sair de quadra, o quão duro seria vê-lo sair de quadra. Mesmo assim, não foi o suficiente para estar preparado. Na próxima semana começam os playoffs da temporada, mas o único pensamento na cabeça dos fãs do basquete agora é que nunca mais teremos Kobe Bryant desfilando sua genialidade pelas quadras da NBA.



THANK YOU, KOBE!